Algum tempo atrás fizemos uma viagem de avião de São Paulo a Porto Alegre. Foi uma viagem emocionante para as crianças. Apesar de terem viajado de avião quando pequenas não se lembravam mais, então tudo era novidade e elas foram o caminho inteiro fazendo perguntas admiradas com tudo. Eu me lembro bem que na ida à Porto Alegre a Sarah me perguntou o que era aquilo que estava logo acima de nós. Ela se referia ao compartimento das máscaras de oxigênio. Eu lhe expliquei e ela queria abrir a portinha para vê-las. Eu disse que não podíamos abrir, mas caso houvesse uma emergência ela se abriria e as máscaras cairiam. O que não sabíamos era que em breve teríamos a “oportunidade” de experimentar isso na prática.
Na viagem de volta de Porto Alegre a São Paulo, já estávamos a 45 minutos no ar e tudo parecia correr bem, até que de repente comecei a sentir muita pressão no ouvido. Comecei a tentar tirar a pressão, mas aumentava ainda mais, quando subitamente o compartimento das máscaras de oxigênio se abriu e todas as máscaras caíram em nossa frente. O piloto imediatamente deu instruções que todos devíamos colocar as máscaras pois havia ocorrido despressurização na cabine do avião.
Sem entender o que estava acontecendo, olhei para as meninas assustadas e comecei a colocar as máscaras nelas. Meu esposo que estava do outro lado do corredor olhou para mim preocupado enquanto colocava sua própria máscara. Coloquei a máscara rapidamente nas meninas, mas não paravam no lugar. Apertei o botão para chamar a aeromoça, mas ninguém apareceu. Comecei a me desesperar um pouco e foi então que me lembrei que ainda não tinha colocado a minha própria máscara. Disse então para elas segurarem a máscara no lugar com as mãos, enquanto colocava minha máscara e depois com mais calma consegui ajustar as delas.

Não sei exatamente quanto tempo ficamos com as máscaras (creio que uns 15 minutos), mas sei que pereceu uma eternidade. Apesar de termos oxigênio para respirar parece que a respiração não era natural. Era tudo muito confuso. Todos estavam muito assustados. O piloto então avisou que não precisaríamos mais usar as máscaras, pois o nível do oxigênio já tinha se estabilizado. Mas também nos disse que estaria aumentando a velocidade da aeronave e que o aeroporto de São Paulo já estava aguardando para nos receber em um pouso de emergência dentro de 25 minutos. Ele disse que não podia nos dar mais detalhes sobre o problema, no entanto sabíamos que algo não estava certo, pois, além de ouvirmos por traz de sua voz o insistente som de um alarme também começamos a sentir um cheiro estranho… como que de algo queimado.
 
Vinte cinco minutos pareceram uma eternidade naquele momento. Eu já tinha orado com as meninas e agora, sem a máscara, conversei com meu esposo e ele pediu que orasse novamente. Fiz com elas uma oração que jamais imaginei que faria. Pedimos perdão pelos nossos pecados, pedimos perdão umas às outras e colocamos nossa vida nas mãos de Deus. Disse às meninas que orassem, cantassem e procurassem ter pensamentos de paz.
Depois de tê-las acalmado eu comecei questionar a Deus. Será que ali poderia ser o final de nossa vida? Estávamos nos preparando para a mudança que Ele nos tinha guiado. Como tudo acabaria assim? Jamais estivera em uma situação semelhante, raciocinei então que já tinha feito o que podia fazer fisicamente, obedecer as instruções do piloto, já tinha feito o que podia fazer espiritualmente, entregar minha vida a Deus, o que restava agora era confiar que Deus estava no controle que nos levaria em segurança até São Paulo.
Enquanto começava a sentir um pouco mais de paz no coração, ouvi minha filha mais nova cantando uma música que diz “Quando estou com medo eu confio em Deus…”. Ela cantou esta e mais duas outras músicas que falam sobre confiança em Deus. Percebi que minhas filhas estavam bem tranquilas e Deus foi preenchendo meu coração com Sua presença e amor.
O tempo então parece que começou a passar mais rápido. Percebemos que o avião aumentou muito a velocidade e logo estávamos sobrevoando SP e pousando próximo à uma garagem da Gol. Naquele momento o piloto voltou a falar com os passageiros e nos disse que o incidente que ocorrera era muito incomum na aviação, e que ainda não sabiam exatamente o que ocorrera. Disse também que ele mesmo nunca tinha passado por aquela experiência, mas que tinha conseguido manter a calma e pousar o avião em segurança.
Ao pousarmos já havia ambulâncias e todo tipo de serviço de emergência do lado de fora nos esperando e assim que as portas foram abertas o pessoal entrou para verificar se todos estavam bem. Para a surpresa e alegria da minha filha mais velha tivemos a oportunidade de sair pela porta de trás da aeronave e descer por uma daquelas escadinhas, algo que ela queria fazer desde o começo da viagem. Logo fomos direcionados a um ônibus que nos levou ao terminal onde pegamos nossa bagagem.
Ao entrar no taxi que nos levaria ao próximo destino comecei a refletir sobre tudo que tinha acontecido e senti Deus impressionando meu coração como algumas lições espirituais. Em primeiro lugar, quando as máscaras caíram, eu fiquei desesperada para salvar minhas filhas, então primeiro comecei a colocar as máscaras nelas, mas nesse processo eu comecei a ficar com falta de ar. Como é que eu poderia ajudar as minhas filhas quando eu mesma já estava começando a ficar com falta de ar? Assim acontece na vida espiritual, muitas vezes queremos salvar nossos filhos, mas nos esquecemos de que para primeiro salvá-los nós precisamos buscar a nossa salvação, isto é, nós precisamos estar no caminho certo, para então mostrá-los como segui-Lo.
Outra lição… Quando o piloto conversou conosco e nos disse que nunca tinha passado por aquela situação, mas que tinha conseguido manter a calma, eu me lembrei de Jesus. Ao contrário do piloto, Jesus já passou pelas mesmas dificuldades que nós, e é exatamente por isso que precisamos nos entregar totalmente a Ele, porque Ele é o único que pode nos guiar.
A nossa caminhada neste mundo é como um avião em pânico. Quando olhamos para o destino do mundo, só conseguimos ver um grande desastre à frente. Sabemos, porém, que Jesus é o nosso piloto e que só Ele pode nos levar em segurança para o Céu. Mesmo assim, temos uma parte no processo. E o que seria a nossa parte? Obedecer às instruções do piloto.
Quando escolhemos obedecer às instruções do piloto Jesus, estamos seguros durante a viagem. Porém, não é ato de colocar a máscara que me levará ao destino final, e sim o fato de que Jesus é o  piloto. Deu para entender? A obediência é a minha parte no processo da salvação, mas o único que pode me salvar é Jesus, e é exatamente por isso que eu preciso cooperar com Ele e acima de tudo confiar inteiramente nEle.
Durante essa viagem para São Paulo tivemos que confiar em um piloto desconhecido para nós que nem sequer vimos o rosto ou soubemos o nome. Mas em nossa viagem para o Céu, temos a alegria de sermos amigos íntimos do Piloto. Temos o prazer de convivermos com Ele dia a dia, conhecê-lo através de Sua palavra, de Sua criação, e de Suas providências e isso nos dá muito mais segurança para prosseguirmos na viagem, pois o piloto é nosso amigo.
Que Deus lhe abençoe em sua viagem. Ajudando-lhe a conhecer cada dia mais o piloto e a confiar inteiramente nEle.
Você Confia no Piloto?

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