Umas das melhores maneiras de ensinar geografia para os filhos é durante viagens quando podemos mostrar as diferentes formas de relevo, singularidades na vegetação e clima e muitas outras coisas mais que podem ser vistas e experimentadas pessoalmente. Mas quando se pensa na geografia combinada à missão, uma boa oportunidade de se ensinar isso é durante viagens missionárias. Nossa família gosta muito de viajar, mas principalmente quando podemos combinar viagens e missões. Alguns anos atrás fizemos uma dessas viagens para a Bolívia e foi um grande aprendizado para todos nós.

 

Para aproveitar a oportunidade de aprendizado e reduzir os custos planejamos viajar de carro até a fronteira e depois tomar trem ou ônibus até Cochabamba, nosso destino final. Um grande desafio quando pensávamos na demora e cansaço, mas uma grande aventura quando pensávamos na oportunidade de realmente conhecer o pais, sua cultura e seus costume, algo que com certeza gostaríamos de oferecer às nossas filhas.

Foram aproximadamente 40 horas de viagem de carro, trem e ônibus de nossa casa até Cochabamba. Passamos por Campo Grande e Corumbá-MS onde visitamos familiares queridos, e pudemos também passar pelo meio do Pantanal Sul-Mato-Grossense e conhecer a incrível beleza daquela região, o que já foi outra aula de geografia e ciências, pois pudemos ver muitos dos animais típicos como jacarés e tartarugas bem de pertinho.

Depois de deixar o carro do lado brasileiro na casa de familiares, fomos levados até a fronteira onde tomamos um trem até Santa Cruz e depois um ônibus até Cochabamba.  Durante a viagem, parando em diferentes cidades e vilas, pudemos conhecer um pouco da cultura e costumes bolivianos bem como apreciar a diversidade da beleza natural do país. A viagem começou em uma região mais plana ao sul do país, com árvores baixas (tipo cerrado) e clima quente e úmido. Depois de Santa Cruz a vegetação já ficou mais intensa e começaram as matas fechadas e montanhas entrecortadas por cachoeiras. Após subir a serra rumo à Cochabamba, a mudança foi mais radical ainda. Subitamente estávamos a uma altitude bem elevada, o clima mais árido e frio, e a vegetação totalmente diferente, picos cobertos de neve, lagos a milhares de pés de altura, e cenários que muitas vezes se assemelhavam a paisagens que se vê na Europa. Tudo isso fomos mostrando e comentando com nossas filhas durante a viagem.

Conforme nos aproximamos de Cochabamba notamos também que as pessoas se vestiam de maneira mais típica do que nos outros lugares por onde passamos. Em todas as paradas dos ônibus que eram um verdadeiro banho de cultura, subiam crianças e mulheres gritando: “Pollo y charque”! Eram os famosos vendedores de marmitas de arroz com frango ou carne seca, ou então cantarolando as palavras “Cuñape”, um tipo de pão de queijo boliviano.

Passamos um dia em Cochabamba, onde pudemos tomar uma daquelas “vans” superlotação típica boliviana e visitar a “Cancha”, um enorme mercado de rua, muito tradicional na cidade. No final do dia fomos levados em um pequeno ônibus, bem colorido para o local do acampamento onde iríamos passar o feriado de carnaval que, aliás, também é bem comemorado por lá com decorações, música, bebida e muitas brincadeiras com as pessoas tentando jogar “água” e outras coisas mais nos carros e ônibus que passam nas ruas. Tive o “privilégio” de ser acertada por um dos saquinhos de água pela janela do ônibus.

O motivo da nossa viagem era participar de um acampamento durante o final de semana prolongado. Era um acampamento com irmãos adventistas de várias cidades próximas da região de Cochabamba, onde tivemos a oportunidade de aprender muito através de palestras e testemunhos maravilhosos bem como de apresentar palestras de saúde, compartilhar nosso testemunho e participar na música. Este encontro anual organizado por um ministério leigo de Cochabamba busca levar famílias a buscar um relacionamento mais íntimo com Deus e se envolver na missão. Ficamos impressionados com o grande número de jovens presentes, muitos dos quais viviam em um orfanato mantido pelo ministério. Tivemos a oportunidade de conversar e conhecer melhor alguns deles que também têm o coração na missão e desejam entregar suas vidas para levar o amor de Deus aos outros.

As crianças tiveram a oportunidade de praticar o espanhol com as amizades que fizeram e conduzindo momentos de louvor durante as reuniões. Além de enriquecer o vocabulário, também aprenderam alguns costumes e brincadeiras da cultura boliviana, participando das atividades infantis providas para elas durante alguns momentos do evento. Neste evento também e durante toda a estadia lá, pudemos conhecer diferentes prátos típicos e conhecer as principais culturas do país.

Assim como no Brasil e em muitos outros lugares pudemos também ver e conhecer a triste realidade de pessoas que vivem em meio a doenças, devido a escolhas erradas de estilo de vida. A pobreza em si, não é necessariamente sinônimo de doença, mas ignorar a leis de saúde quer na pobreza ou riqueza, sempre traz doenças e tristeza para a vida das pessoas. Deus deseja que sejamos saudáveis, não importa nossa classe social e quer que usemos nosso corpo e nossos talentos para Sua honra e glória, e ao visitarmos este país, sentimos mais ainda o quão é importante combinar obra do evangelismo com a mensagem da saúde.

Não tenho como compartilhar os muitos detalhes interessantes que ocorreram durante a viagem, mas gostaria de dizer que vale a pena, fazer um pouquinho de sacrifício, enfrentar mais cansaço e desafios para dar aos nossos filhos uma visão mais missionária do mundo. Que Deus nos ajude a aproveitar as oportunidades!

Rute Bazan

Viajando e Aprendendo

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