Trabalho Útil e Indústria para os Pequenos (Parte 1)

Desde que chegamos ao nordeste do Brasil, tenho sido confrontada com uma realidade muito triste. As pessoas que são sempre ajudadas e não são ensinadas a trabalhar, têm uma grande probabilidade de viver eternamente na miséria.

No livro mensagens aos jovens pág. 211 temos uma frase muito dura, mas bem real: “É vil preguiça o que faz com que criaturas humanas olhem com desprezo os simples deveres diários da vida.” E quando você não estimula o trabalho útil começando por seu próprio lar, a preguiça tem algumas consequências terríveis:

1) Consumismo, mas não produtividade

2) Tendências para o mal

3) Egoísmo

4) Menos vontade de fazer parte da obra de Deus

5) Problemas de saúde

6) Intemperança

Qual seria o primeiro passo para obter vitória sobre a preguiça?

A Vontade Unida + Força Divina

Podereis tornar-vos homens de responsabilidade e influência se, pelo poder de vossa vontade, unido à força divina, vos empenhardes fervorosamente no trabalho. Exercitai as faculdades mentais, e em caso algum negligencieis as físicas. Não deixeis que a preguiça intelectual feche vossa vereda para maior conhecimento. Aprendei a refletir, assim como a estudar, a fim de que vossa mente se expanda, fortaleça e desenvolva… A mente cultivada é a medida do homem. Vossa educação deve continuar por toda a vossa vida; cada dia deveis estar aprendendo e pondo em uso prático o conhecimento adquirido.” (Testemunhos Seletos, vol. 1, pág. 581).

Para quem nos conhece sabe que somos uma família musical, então todas as músicas bíblicas eram minhas aliadas para guardar brinquedos e sapatos com as gêmeas. Quando cresceram um pouco mais e a terceira filha nasceu, elas aprenderam a comer sozinhas e arrumar a cama (a história do menino Samuel que servia ao Senhor me ajudou!). Ao ensinar uma nova tarefa, nas duas primeiras semanas fazíamos brincadeiras enquanto aprendiamos a atividade, e depois elas iam tomando gosto e fazendo sozinhas.

Com quase quatro anos de idade elas nos pediram uma bicicleta. Na verdade, duas! Com muita alegria expliquei que era um brinquedo caro e que precisaríamos juntar bastante dinheiro para poder comprar esse tipo de presente. Assim decidimos vender pães, panetones e patês para ajuntar dinheiro. Foram mais de 7 meses saindo três vezes por semana para oferecer os produtos que elas ajudavam a colocar no liquidificador e depois nos vidrinhos que fechávamos com um adesivo especial do Nosso Amiguinho.

Essa foi a primeira experiencia delas com trabalho útil e indústria, no final de cada venda elas saíam sorrindo, e algumas vezes chorando porque não tínhamos conseguido vender tudo. O resultado, no entanto foi maravilhoso: Deram ofertas na classe do rol, fruto do trabalho delas. Aprenderam, pela primeira vez, a dizimar e, no aniversário de quatro anos elas obtiveram as bicicletas. Essas bicicletas ainda nos acompanham depois de quatro mudanças… Não querem vendêlas, pois, serão pintadas e colocadas como parte do jardim em nossa escola missionária. Essas bicicletas tem um valor muito especial.

A primeira indústria que iniciamos aqui em casa foi a panificação. Essa foi uma das primeiras atividades que as crianças realizaram para obter a bicicleta, e elas nunca esqueceram. O tempo passou, a bebê cresceu e ainda não tinha sua própria bicicleta, e aí as gêmeas em uníssono falaram para mamãe: Vamos fazer pães e patês! Nessa época estávamos morando no apartamento de minha sogra, onde havia aproximadamente 30 vizinhos.

Fomos na loja para ver o preço e elas fizeram as contas de quantos pães precisariam vender: 400 ao todo! Paulinha se desanimou na hora, mas o que ela não sabia é que a paciência e perseverança faziam parte do pacote.

Escrevíamos versos bíblicos para colocar com os pães, pois acredito que toda indústria deve levar a Palavra de Deus também. Preparávamos 10 pães toda quinta-feira, e de propósito deixávamos para assar eles na hora que o pessoal estava chegando do serviço (estratégias de marketing das grandes cadeias de restaurantes: alcançar pelo cheiro!). Depois íamos de porta em porta dando degustação e oferecendo nosso produto, mais do que vender todos os pães tivemos chance de conhecer nossos vizinhos e a oportunidade de falarmos de Deus.

Nossos pedidos foram aumentando para 30 pães por semana, pois o pessoal da igreja também queria ajudar. Nessa história toda fizemos várias aulas de culinária com as irmãs e visitas da IASD Central de João Pessoa e Bessa, as maiores igrejas na capital, fomos convidados para fazer uma semana de saúde na igreja central, com direito a curso de culinária e no final da história conseguimos as duas rodas!

No trabalho útil com as crianças devemos estar por perto o que significa que muitas atividades não serão realizadas, mas as poucas que serão feitas serão realizadas com alegria.

Alguns conselhos inspirados

1) “Enquanto o último sofredor não foi socorrido, Jesus não cessou Seu trabalho. (Ele estava junto).” (Ciência do Bom Viver, p. 29).

2) “Deus pode usar cada pessoa exatamente na proporção em que pode introduzir lhe Seu Espírito no templo da alma. O trabalho que Ele aceita é aquele que lhe reflete a imagem.” (Ciência do Bom Viver, p. 37).

3) “Todos quantos se acham sob as instruções de Deus precisam da hora tranquila para comunhão com o próprio coração, com a natureza e com Deus… Devemos, individualmente, ouvi-Lo falar ao coração. Quando todas as outras vozes silenciam e, em sossego, esperamos diante dEle, o silêncio da alma torna mais distinta a voz de Deus. Ele nos manda: “Aquietai-vos e sabei que Eu sou Deus.” (Salmos 46:10). Este é o preparo eficaz para todo trabalho feito para o Senhor. Entre o vaivém da multidão e a tensão das intensas atividades da vida, aquele que é assim refrigerado será circundado de uma atmosfera de luz e de paz. (Serviço Cristão, p. 190). Se a criança não está disposta leve ela para um lugar calmo onde Jesus possa falar com ela.

4) “Lembrai-vos, em todo o vosso trabalho, que vos achais ligados a Cristo, sendo uma parte do grande plano de redenção. O amor de Cristo, numa corrente que cura e vivifica, deve fluir de vossa vida… De pouca utilidade é procurar reformar outros atacando o que podemos considerar maus hábitos. Tais esforços dão muitas vezes em resultado mais dano que bem.” (Conselhos Sobre o Regime Alimentar, p. 459).

Carolina Barrera

Foto: Freepik.com

One thought on “Trabalho Útil e Indústria para os Pequenos (Parte 1)

  1. Lindo testemunho! Parabéns pelo belo trabalho ao educar suas crianças! Usarei seu testemunho para desenvolver atividades com as crianças das nossas igrejas na Bélgica e com meu filho, quando ele crescer um pouco. Que Deus continue sendo seu guia!

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