O que é o casamento? Trata-se de um processo de refinação, uma fornalha, cujo propósito é consumir a escória.

Como pastor de vocês, eu recomendo amplamente o divórcio”, disse aos meus membros certo sábado.

Agora eu sabia que havia conseguido a atenção deles. Ninguém ia dormir durante o restante desse sermão. Dava para imaginar os pensamentos percorrendo a mente deles: “Vai pregar heresia?”, “Esse vai ser o último sermão que esse pastor prega desse púlpito?”

Antes de dizer por que eu recomendo o divórcio como solução para os problemas matrimoniais, permita-me definir o contexto ao explicar as seis etapas do casamento. O motivo pelo qual temos essas seis etapas se deve à entrada do pecado neste mundo. Se os seres humanos não tivessem caído e ainda vivêssemos no Jardim do Éden, só teríamos experimentado a etapa um e a etapa seis do casamento. Mas, devido à tentação e à entrada do pecado, temos todas as seis etapas.

A etapa um é: a lua de mel. Tudo é maravilhoso e a vida é perfeita nessa etapa. Meu conselho aos recém-casados seria desfrutar de cada minuto dela. Também seria bom praticar dizer o seguinte:

  • Eu te amo
  • Desculpe-me
  • Você me perdoa?
  • Eu te perdoo.

Dizer essas coisas requer pouquíssimo esforço quando se está na etapa da lua de mel. É bom adquirir o hábito de dizer essas coisas porque quando a etapa dois entrar em cena, pode ser dolorosamente difícil dizê-las. Mignon McLaughlin, autor e jornalista norte-americano, resumiu com maestria a etapa da lua de mel desta forma: “Tenho dó de todos os recém-casados. Ela cozinha algo delicioso para ele, e ele lhe traz flores. Eles se beijam e pensam: como o casamento é simples”.

Antes de avançarmos para a etapa dois do casamento, considere esta pergunta importante: “Por que Deus não nos permite continuar na etapa da lua de mel por todo o matrimônio? Por que nosso Deus de amor permite que a encantadora etapa da lua de mel chegue ao fim?”

Já pensou nisso? Creio que se deve ao fato de Deus estar mais preocupado com nossa santidade do que com nossa felicidade. O motivo pelo qual Ele se preocupa tanto com nossa santidade é porque, no final das contas, Ele está preocupado com nossa felicidade. Não existe verdadeira felicidade à parte da santidade. Em Mateus 5:8, Jesus diz: “Bem-aventurados os limpos de coração.” Outra maneira de dizer isto é: “Felizes os santos”.

Curiosamente, em Mateus 5:4, Jesus também diz: “Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.” Trata-se de uma promessa confortadora para aqueles que lamentam por causa de seu matrimônio. Para muitos, o casamento tem se tornado um fardo, uma maldição.

Note o que Ellen G. White, cofundadora da Igreja Adventista, tem a dizer sobre a promessa de Jesus àqueles que lamentam: “As palavras do Salvador contêm também uma mensagem de conforto para os que sofrem aflição ou privação. Nossas tristezas não brotam da terra. Deus “não aflige nem entristece de bom grado aos filhos dos homens”. Lamentações 3:33. Quando permite que nos sobrevenham provações e aflições é “para nosso proveito, para sermos participantes de Sua santidade”. Hebreus 12:10” (O Maior Discurso de Cristo, página 10).

Gostaria de parafrasear a última frase desta forma: “Quando Ele permite que a etapa da lua de mel chegue ao fim, é “para nosso proveito, para sermos participantes de Sua santidade”.

A passagem continua dizendo: “Se recebida, com fé, a provação que parece tão amarga e difícil de suportar provar-se-á uma bênção. O golpe cruel que desfaz as alegrias tornar-se-á o meio de fazer-nos volver os olhos para o Céu. Quantos há que nunca teriam conhecido Jesus se a tristeza os não houvesse levado a buscar dEle conforto!”

Mais uma vez, gostaria de parafrasear a última frase desta maneira: “Quantos há que nunca teriam conhecido Jesus se a etapa da lua de mel não tivesse chegado ao fim e os levado a buscar conforto nEle!” Nosso Deus, que deseja que sejamos coparticipantes de Sua santidade, permite-nos ir da etapa da lua de mel até a próxima etapa.

Quando eu perguntei aos meus membros qual, na opinião deles, seria a próxima etapa, alguém gritou: “A etapa do pesadelo!” Acho que seria uma descrição adequada. A etapa dois é: no que eu estava pensando?

Quando a etapa dois chega, as pessoas se pegam pensando: “Meu cônjuge e eu somos completamente opostos”. Para muitos casais, o que inicialmente os atraiu ao seu cônjuge, futuramente, os incomodará neles. Por exemplo, o introvertido tímido que é atraído pela extrovertida sociável, futuramente, se ressente pelo fato de ela estar sempre passando tempo com as amigas, em vez de estar em casa com a família.

A etapa do divórcio

A próxima etapa é quando geralmente ocorre o divórcio. A etapa três é: tudo seria maravilhoso se você mudasse. Quando nos casamos com alguém, escolhemos uma dentre as 7 bilhões de pessoas deste planeta e, em seguida, de repente, estamos dizendo: “Você tem que mudar”. Dizem que as mulheres se casam pensando: “Eu vou mudá-lo”, enquanto que os homens se casam pensando: “Ela nunca vai mudar”.

Ora, se você se encontra na etapa três, com o lar completamente destruído e o casamento se despedaçando, eu recomendo amplamente o divórcio. Sim, você leu corretamente. Vou repetir: “Eu recomendo amplamente o divórcio”. Eu concordo plenamente com esta citação do livro God’s Little Instruction Book for Couples [O Livrinho de Instruções de Deus para Casais, em tradução livre] de Jerry McCant: “Não se pode ser casado e feliz a menos que você se divorcie de seu eu. Um casamento bem-sucedido exige uma certa morte ao eu.”

O apóstolo Paulo em 1 Coríntios 15:31 diz: “Dia após dia morro.” Em Gálatas 2:19, 20, ele diz: “Estou crucificado com Cristo, logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim.”

De igual modo, nós também devemos morrer para o eu se quisermos ter um casamento bem-sucedido.

Considere estas palavras de um manual de preparação para o casamento intitulado: Before You Say “I Do” [Antes de Dizer “Aceito”, em tradução livre], de H. Norman Wright e Wes Roberts: “O casamento é um processo de refinação que Deus usará para que nos tornemos o homem ou a mulher que Ele deseja que nós nos tornemos. Pense nisso. Deus usará seu casamento para os propósitos que Ele tem. Ele vai moldar e refinar você para o seu próprio bem e para Sua glória.” O que é o casamento? É um “processo de refinação”, uma fornalha. Uma fornalha é um lugar com temperaturas bem quentes. Devemos nos lembrar que o propósito do fogo não é destruir você, mas consumir a escória. Ellen White tem muito a dizer quanto à fornalha da refinação. Lemos que “a fornalha da refinação é para remover a escória. Quando o Refinador vir em vós perfeitamente refletida Sua imagem, Ele vos tirará da fornalha. Não será permitido que vos consumais, ou que suporteis a ardente prova nem um pouco mais do que seja necessário para vossa purificação” (Nossa Alta Vocação, p. 312).

Conseguiremos passar pela etapa três com sucesso se estivermos dispostos a obter um divórcio do eu e a reconhecer que Deus deseja nos conformar à imagem de Cristo.

Eu Escolho Amar Você

A etapa quatro é: eu escolho amar e aceitar você como você é.

Deus está nos chamando a fazer por nosso cônjuge aquilo que Ele tem feito por nós. Deus escolheu nos amar, e isso não se deu quando começamos a nos arrepender e assumir nossos próprios atos. A Bíblia diz que: “Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores” (Romanos 5:8). Quando Jesus foi açoitado e zombado, Sua resposta foi: “Eu te amo”. Quando perfuraram-Lhe as mãos com cravos, Sua resposta foi: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lucas 23:34). Em Efésios 5:25, diz: “Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela.” Deus está nos chamando a amar nosso cônjuge com mesmo o amor abnegado com o qual Ele nos amou.

Se conseguirmos morrer para o eu e aprendermos a amar de maneira abnegada por meio de Sua força e graça, podemos avançar às etapas cinco e seis. A etapa cinco é: eu sou abençoado por ter você em minha vida. E a etapa seis é: quero envelhecer com você.

Ao trilharmos a jornada rumo ao céu com nosso cônjuge, sempre tenhamos em mente que Deus está usando nossas experiências no casamento para nos transformar diariamente, a fim de que possamos refletir o caráter de Cristo. Lemos que: “A divina obra de refinar e purificar precisa ir avante até que Seus servos estejam tão humilhados, tão mortos para o próprio eu que, ao serem chamados para serviço ativo, tenham em vista unicamente a glória de Deus. […] Deus muitas vezes abate o homem até ao pó, aumentando a pressão até que a perfeita humildade e a transformação do caráter o ponham em harmonia com Cristo e o espírito do Céu, e tenha a vitória sobre si mesmo” (Testemunhos para a Igreja, vol. 4, página 86).

Lembremo-nos de que Deus “muitas vezes” nos “abate” “até ao pó”, até que nos tornemos semelhantes a Cristo. Isso pode explicar por que seu cônjuge continua fazendo aquela mesma coisa irritante e aborrecedora que leva você à loucura praticamente todos os dias. Se essa é a sua experiência, eu recomendo amplamente que você se divorcie do seu eu agora. Que possamos dizer como o apóstolo Paulo: “Dia após dia morro”.

 

Martin Kim, pastor, Igreja Adventista do Sétimo Dia de Southcenter, Associação de Washington.

Tradução: Hander Heim

Quando o Divórcio é a Solução para os Problemas Matrimoniais

Uma ideia sobre “Quando o Divórcio é a Solução para os Problemas Matrimoniais

  • 1 de agosto de 2018 em 07:45
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    Que lindo e importante… Muito obrigada. Aninha Saliba

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