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Sem Medo da Adolescência

Nossa filha mais velha está entrando na adolescência… aquela fase da vida que muitos de nós pais tememos. Já conversei com várias mães de pré-adolescentes e a preocupação é sempre a mesma: “E se nós fizermos tudo certinho até aqui e de repente ao chegar na adolescência eles se rebelarem!” Sinceramente este pensamento já passou pela minha mente algumas vezes e eu aprendi a entregá-lo a Deus cada vez que ele vem.

Já percebi que nas famílias amorosas com sólidos princípios bíblicos no lar, os filhos não parecem passar por uma fase de rebeldia no período da adolescência. Ao contrário, se tornam jovens obedientes e amorosos para com os pais, extremamente atenciosos para com os outros e responsáveis dentro de sua esfera, sem perder aquela inocência e pureza quase que infantil.

Você deve estar pensando: “Como assim, não passam pela adolescência?” Na verdade, se você pesquisar um pouquinho sobre a adolescência, vai descobrir que a adolescência com essas características de rebeldia, foi algo inventado… isso mesmo, e nem todo mundo precisa passar por ela.

O termo adolescência e as características que acompanham essa fase entre 13 e 19 anos foram uma invenção americana pós Segunda Guerra Mundial. Os jovens nessa época eram muitos explorados na produção de equipamentos de guerra e nos campos de batalha, e por isso alguns começaram a se rebelar e apresentar comportamentos impróprios… a mídia então, tirou proveito e começou a apresentar a necessidade de que esses jovens tivessem uma fase na qual fossem completamente livres e não pressionados a terem as mesmas responsabilidades de adultos. Até essa época, ao atingir a idade dos 12 ou 13 anos uma criança se tornava um jovem adulto, não completamente maduro ainda, mas maduro o suficiente para ser um membro responsável e ativo da sociedade.

Na cultura judaica mais conservadora, o conceito da criança se tornar um jovem adulto e não um adolesecente prevalece até hoje. Quando o menino atinge a idade de 13 anos ele se torna um bar mitzvah (“filho do mandamento”) e quando a menina atinge a idade de 12 anos ela se torna uma bat mitzvah (“filha do mandamento”). Antes dessa idade que coincide aproximadamente como a fase da puberdade, os pais são considerados responsáveis pelas ações dos filhos, mas a partir dessa idade os filhos são responsáveis por suas próprias ações. Além da responsabilidade, eles também passam a ter certos privilégios como participar de eventos e festas que antes não lhes eram permitido participar. Tipicamente as famílias judias celebram essa data com uma cerimônia especial que normalmente ocorre no sábado seguinte ao aniversário de 13 anos do menino e 12 anos da menina.

Quando ouvimos essa informação pela primeira vez alguns meses atrás, conversamos com nossa quase adolescente e ela gostou da ideia de se tornar uma “adulta” em pouco tempo. E interessante como entender e estudar isso parece que a ajudou, não apenas se portar de maneira mais madura, mas a se abrir muito mais conosco pais e se tornar nossa confidente. Como pais temos buscado ajudá-la a ser responsável por suas próprias ações, e uma das maneiras que fazemos isso é dando a ela a oportunidades de fazer escolhas dentro de sua maturidade.

Alguns meses depois dessa descoberta, passamos por um incidente interessante que nos ensinou algumas lições importantes. Nossa pré-adolescente recebeu de presente da avó um sapato novo. Fomos às lojas para ela escolher e empolgada com o presente acabou se encantando por uma sandália que para nós, pais, não era ainda muito apropriada para sua idade. O salto era um pouco alto para nossos princípios de saúde, modéstia, etc, etc…

Quando percebemos seu interesse, visitamos várias outras lojas e mostramos diferentes opções, mas ela continuava encantada com a sandália. Chegou um momento que tínhamos que tomar uma decisão. Ela já nos tinha nos perguntando inúmeras vezes o que achávamos e nós dizíamos nossa opinião, mas ela continuava bem atraída à sandália. Finalmente dissemos a ela que não a forçaríamos a tomar uma decisão, mas que ela tinha informação suficiente para decidir. Corremos um risco? Sim, mas sentimos que Deus nos ajudaria a lidar com as consequência e estávamos em oração para que Deus guiasse seu coraçãozinho.

Ela experimentou a sandália, caminhou pela loja, conversou comigo, conversou com o pai. Podíamos ver que ela estava passando por uma luta interior muito forte. Finalmente ela disse, com lágrimas nos olhos, que não levaria a sandália. Nós olhamos assustados um para o outro, com a escolha final que ela fez depois de tanta insistência. Até falamos novamente que ela estava livre para escolher, que não queríamos forçar sua decisão, mas ela decidiu não levar a sandália.

Pouco tempo depois, as lágrimas acabaram e perguntamos a ela porque ela tinha mudado de ideia, e sua resposta trouxe lágrimas agora aos nossos olhos: “Porque eu quero obedecer vocês, e eu não me sentiria bem usando algo que eu sabia que não estava agradando vocês”.

A sandália não foi comprada naquele dia, mas alguns dias depois. O inimigo ainda tentou perturbar seu coraçãozinho, mas ela fez uma escolha sábia e foi super contente para casa com uma linda sandália, bem apropriada para sua idade.

Amigos, somos pais imperfeitos e falhos, já erramos no passado e muitas vezes ainda erramos com nossas filhas, mas entendemos algo importante com esse incidente. A adolescência, pode sim, ser a revelação de rebeldia ou rancor guardada no coração durante a infância, mas ela também pode ser uma linda revelação de respeito e honra aos pais, porque na infância eles se dedicaram para ensinar os filhos a temer a Deus. Por mais, que as vezes, no meio do caminho nossos filhos pareçam dispersos, distantes, ou até apresentem momentos de rebeldia, pois “o leão está sempre ao redor procurando a quem devorar”, todo esforço diligente com a ajuda de Jesus será recompensado.

Ainda mal começamos nossa caminhada como como pais de “adolescentes”, mas podemos ver que o mesmo Deus que nos sustentou e nos deu sabedoria no passado estará conosco daqui para frente. Não precisamos ter medo.

Se você teve a oportunidade de desenvolver durante a infância de seu filho um relacionamento amoroso de confiança, sem muitas influências do mundo, pode ter certeza que Deus será fiel e continuará lhe ajudando. Se por acaso, você foi um pai ou mãe distante e teve um relacionamento conturbado com seu filho, sem Deus, faça todo o possível agora para restaurar esse relacionamento. Sacrifique seus sonhos se necessário for, e busque a Deus constantemente, pois Ele é capaz de realizar qualquer milagre no seu coração e no coração do seu filho.

Algumas dicas para um relacionamento amoroso com seu adolescente:

  1. Faça parte de vida dele e deixe ele fazer parte da sua;

  2. Incentive seus dons e apoie seus interesses;

  3. Dê a ele oportunidade de sociabilização saudável, com pessoas que são um exemplo para ele;

  4. Dê a ele responsabilidades, e assuma que ele será responsável;

  5. Seja paciente com suas falhas, você também tem;

  6. Busque levá-lo a desenvolver um relacionamento pessoal com Deus;

  7. Não tenha medo de ensinar princípios, ele lhe surpreenderá, não apenas aceitando-os, mas defendendo-os;

  8. De a ele oportunidade de servir no campo missionário, ele amará;

  9. Quando você falhar como pai, peça perdão. Seja um modelo;

  10. Não deixe de ser pai/mãe para ser apenas um amigo. Seja um pai/mãe amigo (a).

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Algumas informações históricas foram tiradas de:

http://entretenimento.r7.com/blogs/andre-barcinski/voce-sabe-quem-inventou-o-adolescente-20140918/

http://www.jewfaq.org/barmitz.htm

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