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Como Tornar o Culto Prático para as Crianças

Atualizado: 17 de ago. de 2021



Eu comecei o culto pessoal quando meus filhos começaram a olhar livrinhos, isto é, bem antes de 1 ano. Eu achei aqueles livrinhos bíblicos com todas as páginas de papel duro tipo papelão que tinham aquelas janelas que a gente abre e tem algo interessante embaixo, tipo um bichinho na história de Noé ou coisa assim. Eles eram tão pequenos que não conseguiam abrir a janelinha sozinhos, mesmo sendo grossas para mãozinhas em treinamento.

Depois eu comecei a contar as histórias bíblicas da Escola Sabatina com objetos e isso prendia a atenção deles demais. Eles amavam e não só se lembravam da história mas quando viam o objeto ou brinquedo, começavam a brincar de história. A ideia é de que as coisas familiares lhes tragam à lembrança as coisas divinas e seus pensamentos assim estejam "habitando no Senhor".

Nesse tempo para todo lugar que eu olhava, em casa ou quando saia, eu pensava: 'Isto dá para usar nessa história, aquilo na outra.' Era muito gostoso! Eles viam as coisas e se lembravam das histórias enquanto eu olhava e via a possibilidade para uma história.

Como eu ensinava a classe do rol do berço quando eles estavam lá, ficava ainda mais fácil, pois o que eu escolhia podia usar na classe e continuar usando em casa, e ao mesmo tempo o que fazia sucesso em casa eu levava para classe. Além disso, eles amavam preparar a lição e brincar com o que tinha na igreja ou com alguma criança no caso de outra mãe ir me ajudar.

A gente também entrava na história, as vezes fazendo cabaninha para contar a história lá dentro ou montando uma maquete da criação acrescentando as coisas criadas naquele dia. Por exemplo, no primeiro dia a gente fechava os olhos e tentava andar ou fazer as coisas com olhos fechados. Depois a gente trabalhava luz em seus muitos aspectos. Para os pequenos a relação de luz e cor e muito legal, pois as cores são o reflexo da luz e daí dá para fazer mistura de cores primárias para obter as secundárias e etc. Eu usava corante artificial de comida (líquido). Eles adoram ver a água ficar colorida e quando você põe a outra cor e vira uma terceira é uma festa. Mas eu sempre perguntava antes o que eles achavam que ia acontecer que era para eles formarem hipóteses e se envolverem no processo. E mesmo depois de saberem o encanto não passava.

Dependendo da idade dá para trabalhar prisma que decompõe a luz branca fazendo com que vejamos as cores do arco íris. Nas bolhas de sabão também dá para ver as muitas cores quando a luz bate. E assim fazer bolhas de sabão lá fora passa a fazer parte do culto. Ou pode deixar a bolha de sabão para o segundo dia quando Deus criou o firmamento ou atmosfera com o ar que nos é vital. Encher bexigas, segurar a respiração para ver quanto tempo consegue ficar sem respirar, brincar com vento e cata-ventos, aprender que sem ar não tem som, trabalhar sons diferentes, usar instrumentos de sopro ou apitos (alto e baixo dependendo da quantidade e força do ar), tudo isso demonstra o amor de Deus na criação e como tudo que nos faz bem e alegra vem dEle. Que Ele fez tudo isso porque queria nos fazer felizes. Tudo que Ele faz é para fazer os outros felizes e é assim Ele quer que nos sejamos. Quer que estejamos sempre planejando e trabalhando em como fazer nossa família e os outros felizes. A ideia de serviço altruísta pode permear o dia, a semana e ser visitada frequente depois disso. Pode-se pôr em prática separando roupas ou brinquedos para dar, convidando alguém meio sozinho para vir em casa no sábado ou mil outras ideias dependendo da idade.

No rol do berço que se fica um mês na história, dá para fazer tudo assim prático uma semana, a maquete na outra semana e como quiser na terceira.

A maquete eu usei um isopor grosso coberto de plástico azul. Acho que usei papel celofane. Pode ser sem cor também já que agua é incolor. E só amassar o plástico e colocar em cima. Tudo água. Ai como não tem muito o que fazer dá pra trabalhar água (que estava lá desde o princípio). E água eles amam. Dá pra trabalhar sem forma e com forma e ir para redondo, quadrado e etc. ensinar as formas naqueles brinquedos de encaixe. Outro aspecto é vazio e cheio (a terra era sem forma e vazia.). Esvaziar e encher. O prato estava cheio e esvaziou mas a barriguinha estava vazia e encheu. Cheio e bom ou vazio e bom? O lixo e bom cheio ou vazio? Cheio de coisa boa ou coisa ruim? O que a gente vê e ouve vai enchendo a cabecinha assim como a comida enche a barriguinha.

Com isso dá para trabalhar contrários (antônimos). Vazio e cheio, grande e pequeno, encima e embaixo, gordo e magro (tudo isso eles fazendo em gestos ou procurando coisas para demonstrar), depois que entenderam dá para ir para silêncio e barulho, falar alto e baixo (quando usar um e outro e praticar durante o dia), obediente e desobediente, bondoso e maldoso e assim voltar para a parte espiritual.

Quando a criança apresentar uma atitude negativa durante o dia voltar para a brincadeira do contrário do culto -'cara feia e cara bonita'. Você faz uma cara feia e bonita exagerada e normalmente eles caem na risada e a brincadeira continua e a situação fica menos estressante.

Deixe eu terminar a maquete com a água vem a luz. Dá pra começar a história e depois ir para um lugar escuro ou debaixo de um cobertor onde esteja o isopor com plástico e acender a luz ou tirar o cobertor quando Deus fala 'haja luz'.

Depois dá para adicionar nuvens de algodão ou enchimento de almofada penduradas (mostrar agua evaporando na panela e como as roupas secam é legal dependendo da idade); cobrir o isopor com terra ou areia (ou vela em pó para artesanato se encontrar). Dá para cobrir com verde quando Deus faz a grama ou colocar grama de verdade cortada), colher florzinha ou flor de artesanato, por galhinhos de árvore para fazer as árvores e pendurar frutos de massinha. Eu coloquei coisinhas brilhantes (pedrinhas coloridas) que era o ouro e pedras preciosas que estavam na superfície até o dilúvio. Adão e Eva eu fiz de prendedor de roupa, colando roupa de papel celofane para representar a luz.

Cada dia da criação dá para incluir lições ligadas aos 8 remédios da natureza.

O culto assim conecta a história bíblica com a ciência, que é a lei de Deus na natureza, as aplicações práticas do dia a dia (esvaziar o prato ou a barriguinha), as lições espirituais e morais de forma prática como fazer outros felizes e escolher o bem ou a obediência em vez do mal ou a desobediência. É religião prática, aplicada.

As crianças amam isso e aprendem muito, tudo dentro do contexto bíblico. Eles sempre querem fazer o culto; o difícil e parar.

E se você gastar muito tempo lembre-se que além de culto é parte do ensino acadêmico, ajuda na disciplina e une o coração deles ao nosso numa atividade onde estão prontos para ouvir.

À noite usava livros que ajudavam a acalmá-los e as o levar para a cama. Eles podem não querer dormir, mas se gostam de história a hora fica feliz. Depois dos livrinhos de papel cartão eu comecei com a série Meus Amigos da Bíblia que eles amaram tanto que meu filho começou a ler neles. Até hoje falam com carinho deles e se referem de vez em quando a detalhes das histórias.

Meu objetivo era que eles amassem o culto e que ele se tornasse parte natural de cada dia, bem como que aprendessem a tirar lições práticas da teoria e teoria (ou lições espirituais) da vida prática e em tudo ver a mão de amor do nosso Deus. Funcionou para nós. Sucesso para você!


Silvia Martins

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