Family on sofa

A tecnologia tem trazido muitas mudanças para a vida moderna, inclusive para os relacionamentos mais importantes do ser humano, como a família e Deus. Cada vez mais e mais artigos e testemunhos têm sido publicados sobre seus efeitos negativos nos relacionamentos familiares – casamentos que são destruídos e filhos que competem pela atenção dos pais. Talvez a maioria das pessoas que são levadas por essa correnteza nem percebe que estão sendo vítimas de um vício que aparentemente não traz consequências, mas que tem feito com que os membros da família percam a verdadeira conexão uns com os outros e principalmente com Deus. Veja o seguinte testemunho de uma mãe:

Eu estava tentando preparar meus filhos para sair um dia. Todos os pais sabem como é difícil trocar a roupa das crianças e sair de casa na hora certa, as vezes é um teste de paciência. Nem vamos falar sobre o dilema de esquecer um dos pares de sapato, o que sempre ocorre quando estamos atrasados.

Certa manhã, meu filho de 3 anos estava “conversando” no celular de brinquedo. Eu disse a ele que estava na hora de se vestir e guardar os brinquedos. Ele virou as costas para mim. O quê? Inspirei profundamente para ajudar a dominar minha irritação e falei novamente para guardar o telefone e vir se arrumar. Ele abanou a mão me mandando embora. Agora estava realmente furiosa. Eu gritei: “Venha aqui agora!” Ele deu um suspiro irritado e disse, “Espera aí! Eu preciso checar minhas mensagens!”

Eu fiquei atônita! Aquilo foi como um balde de água fria sobre minha cabeça. Ele estava me imitando! É assim que me vê quando estou no telefone e ele está tentando chamar a minha atenção. Nunca imaginei que era tão rude e impaciente para com ele. Nem preciso dizer que me senti profundamente envergonhada…. Sou viciada no meu celular. Eu não apenas o uso para me comunicar com amigos e familiares, mas para ler livros e revistas eletrônicas, assistir programas, verificar o clima e fazer anotações. Ele é uma extensão de mim. Ocasionalmente é até mesmo uma babá quando estou fazendo compras e preciso que meu filho se ocupe com alguma coisa e não comece a fazer birra na loja…”

Essa mãe continua o texto contando o que ela tem feito desde que reconheceu seu vício para vencê-lo e tentar melhorar o relacionamento com o filho. Ela tem deixado de atender e verificar o celular durante as refeições e horários em que está brincando com o filho. Procura avisá-lo com antecedência quando vai fazer ou receber uma ligação que precisa ser atendida e muitas vezes tem permitido que as pessoas deixem um recado para responder quando não estiver ocupada.

A Bíblia traz uma severa repreensão para aqueles que negligenciam o cuidado da família: “Mas se alguém não tem cuidado dos seus, e principalmente dos da sua família, negou a fé e é pior do que o infiel” 1 Timóteo 5:8.

Ao mesmo tempo que temos que reconhecer que dispositivos eletrônicos, como um smartphone ou tablet, fazem parte da vida moderna da maioria das pessoas, não podemos permitir que atrapalhem nosso relacionamento com nossos filhos. Veja este conselho de Deus para as mães: “Não permita a mãe que sua mente se ocupe com coisas demais. …Com a maior diligência e estrita vigilância, ela deve cuidar dos pequeninos que, se deixar, seguirão cada impulso que brota do fundo de seu coração inexperiente e ignorante.” Orientação da Criança, 56.

Se o cuidado dos nossos filhos fosse a única razão a ser considerada já seria razão suficiente para mudarmos nossos hábitos em relação ao uso da tecnologia, principalmente se entendemos que somos responsáveis pela salvação deles. Mas o problema maior é o legado que estamos deixando para nossos filhos através da nossa influência na vida deles.

Uma pesquisa da associação Common Sense Media [Mídia de Bom Senso] entrevistou 1,240 pais e seus filhos no início deste ano (2016) e os resultados indicaram que:

59% dos pais sentem que seus filhos adolescentes são viciados no celular

50% dos filhos adolescentes sentem que são viciados no celular

27% dos pais sentem que são viciados no celular

28% dos adolescentes sentem que seus pais são viciados

Talvez os resultados acima não lhe assustem tanto, mas vejam o último item da pesquisa: 69% dos pais e 78% dos adolescentes verificam seus celulares pelo menos a cada hora.

Apesar de não se considerarem viciadas essas pessoas obviamente são dependentes dos dispositivos eletrônicos e o mais triste é que esses números indicam que o vício na vida dos filhos está ultrapassando o vício na vida dos pais.

Tempo excessivo desperdiçado principalmente a mídia social tem tirado o tempo que poderíamos estar nos dedicando à família, mas mais assustador ainda são os prejuízos emocionais e espirituais que podemos sofrer. De um modo geral, nas mídias sociais as pessoas só colocam as coisas boas que acontecem na vida, fotos de passeios, festas, bons momentos com amigos. Quando ficamos vendo tudo isso e nossa vida não parece ser tão divertida ou tão cheia de bons momentos, tendemos a alimentar pensamentos negativos de descontentamento com nossa própria vida ou situação familiar. Este tipo de sentimento é apenas um sintoma das novas “doenças” mentais atribuídas ao uso excessivo da internet.

Quanto vamos para o lado espiritual, as consequências podem ser ainda mais sérias. Nossa mente é o principal instrumento através do qual Deus se comunica conosco. Quando a mente está constantemente sendo alimentada com informação desnecessária, que não contribui para nossa comunhão com Deus, perdemos tempo precioso que poderíamos estar utilizando para refletir em nossa própria vida, influenciar nossa família e crescer espiritualmente. Mesmo que a informação seja boa, o fato de ser em quantidades excessivas contribui para confusão mental e outros danos que hoje são reconhecidos pela ciência.

O psiquiatra e escritor brasileiro, Augusto Cury, identifica os danos causados por excesso de informação na mente como síndrome do pensamento acelerado, ou SPA. Segundo ele essa torrente de informação que não para de chegar através da TV, internet e outros meios de comunicação resulta em uma sociedade de “hiperpensantes”, sempre inquietos, sem foco e sofrendo por antecipação. Outros estudos já começaram a fazer uma ligação entre a doença de Alzeimer e o excesso de informação na mente. 

Quando o quase obsoleto e-mail (de acordo com alguns) começou a se tornar popular no passado, as informações começaram a chegar até nós de forma muito mais acelerada que anteriormente, na era do correio e do telefone. Como se não fosse rápido o suficiente, veio então o Facebook e outras redes sociais para tornar a informação mais acessível e mais rápida ainda. Atualmente o Whatsapp e outros chegaram para realmente garantir que nossa mente esteja continuamente recebendo informações sobre inúmeras pessoas, fatos e assuntos. Mas será que realmente fomos criados para ter acesso imediato a tanta informação assim? Não seria essa capacidade de estar ciente de tudo que acontece ao nosso redor uma forma deturpada e nociva da “onisciência”, um atributo que só Deus tem? Desde o princípio este tem sido o desejo e a insinuação de satanás: ser como Deus e ter os mesmos conhecimentos que Ele (Gênesis 3:5) e nós lentamente aceitamos isso como normal em nossa vida sem nem mesmo perceber as consequências que pode trazer.

Em contraste marcante com toda essa correria física, mental e espiritual que o mundo nos oferece, Deus nos faz um convite totalmente radical:

Vinde a mim, todos os que estai cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei” Mateus 11:28.

O uso dos meios modernos de comunicação de forma prudente e equilibrada pode ser uma bênção para facilitar a vida e até ser usado como meio para levar pessoas a Cristo, mas precisamos discernir entre o uso necessário e o uso supérfluo da mídia social. Deus deseja que tenhamos uma vida tranquila por uma razão muito especial. Ele nos convida: “Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus” Salmo 46:10. Nosso Pai deseja que tenhamos tempo e uma mente tranquila, livre de estímulos e informações desnecessárias para que possamos estar em conexão constante com Ele e conhecermos quem Ele realmente é.

Que Deus nos dê forças hoje para mudar hábitos que talvez estejam atrapalhando as conexões mais importantes da nossa vida, a família e Deus.

A minha alma descansa somente em Deus” Salmo 62:1.

Perdendo as Conexões Verdadeiras

2 ideias sobre “Perdendo as Conexões Verdadeiras

  • 10 de dezembro de 2016 em 23:27
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    Muito oportuna esta mensagem. Está cada vez mais evidente que o smart phone, que carregamos em nossa bolsa pode nos absorver de tal maneira, que fiquemos viciados neste pequeno aparelho, que parece tão útil, tão acessível, mas o prejuízo a longo prazo, faz se sentir. E o vício começa cada vez mais cedo! Estive recentemente num aniversário de 70 anos de um amigo, e fiquei feliz em ver as crianças brincando na piscina do condomínio, enquanto os adultos se confraternizavam. Meia hora depois, já bem alimentados, fiquei sur presa com as mesmas 5 crianças (netos e sobrinho deste meu amigo), cada um com o seu Tablet na mão, concentradissimos nos seu joguinhos. Raras vezes jogavam em duplas, em geral individualmente. Tirei uma foto da turminha que chamamos de geração cibernética! Está brincadeira durou umas 4 horas ininterruptas! E vício ou não é? Recentemente tomei uma decisão, sair de quatro grupos dos 5 aos quais havia me filiado. Estava tomando muito do meu precioso tempo e sobrecarregando a memória do meu celular e de minha mente!! Raramente olho alguma mensagem do Facebook, só mesmo um de receitas vegetarianas. E leio assiduamente as mensagens do grupo Meu Lar Minha Escola. Procuro ler um bom livro e não negligenciar minha devoção pessoal, nem deixar de me relacionar presencialmente com familiares e amigos. Estou tentando cultivar o velho hábito de escrever cartas, de próprio punho. Em especial me corresponder com crianças e adolescentes. Sempre dá para fazer mudanças para melhor! Se você não impor limites ao uso do seu celular, você ficará escravo dele!! Pense nisto!

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  • 10 de dezembro de 2016 em 23:21
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    Muito oportuna está mensagem. Está cada vez mais evidente que o smart phone, que carregamos em nossa bolsa pode nos absorver de tal maneira, que fiquemos viciados neste pequeno aparelho, que parece tão útil, tão acessível, mas o prejuízo a longo prazo, faz se sentir. E o vício começa cada vez mais cedo! Estive recentemente num aniversário de 70 anos de um amigo, e fiquei feliz as crianças brincando na piscina do condomínio, enquanto os adultos se confraternizavam. Meia hora depois, já bem alimentados, surpreendido as mesmas 5 crianças (netos e sobrinho deste meu amigo), cada um com o seu Tablet na mão, concentradissimos nos seu joguinhos. Raras vezes jogavam em duplas, em geral individualmente. Tirei uma foto da turminha que chamamos de geração cibernética! Está brincadeira durou umas 4 horas ininterruptas! E vício ou não é? Recentemente tomei uma decisão, sair de quatro grupos dos 5 aos quais havia me filiado. Estava tomando muito do meu precioso tempo e sobrecarregando a memória do meu celular e de minha mente!! Raramente olho alguma mensagem do Facebook, só mesmo um de receitas vegetarianas. E leio assiduamente as mensagens do grupo Meu Lar Minha Escola. Procuro ler um bom livro e não negligenciar minha devoção pessoal, nem deixar de me relacionar presencialmente com familiares e amigos. Estou tentando cultivar o velho hábito de escrever cartas, de próprio punho. Em especial me corresponder com crianças e adolescentes. Sempre dá para fazer mudanças para melhor!

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