Alguns dias atrás eu estava caminhando com minhas filhas para uma loja que fica aqui perto. No caminho passamos por nossa igreja e de longe percebi que tinha uma combi bem velha parada no estacionamento e um homem em uma cadeira de roda que parecia estar trocando o pneu do carro. Ele abaixava como que tentando pegar alguma coisa e não alcançava, conforme nos aproximamos percebi que ele estava nervoso, xingando e chutando o pneu do carro. Ficamos com muita pena dele e resolvi me aproximar e oferecer ajuda.

Quando chegamos perto dele ofereci para chamar alguém da oficina mecânica da instituição para lhe ajudar. Quando ele nos viu, virou-se para nós com um sorriso e disse que não era o pneu e que estava tudo bem, ele já estava saindo. Era um homem por volta dos seus cinquenta anos de idade, cabelos compridos e embaraçados num estilo meio “hippie”. Roupas bem velhas e sujas e uma cadeira de rodas bem velha e toda remendada.

Logo ele começou uma conversa agradável conosco perguntou sobre as meninas, disse que uma parecia muito comigo e que a outra deveria se parecer com o pai, então falou: “não é incrível como Deus faz as pessoas assim?” Em seguida disse: “quer dizer… eu não creio em Deus. Não me considero um ateu, mas também não acredito em Deus, acho que eu sou é um naturalista.” Então começou a explicar que se considerava um cientista e que era fascinado pelos mistérios da natureza. Começou a fazer comentários sobre os ateus e cristãos, sempre referindo-se a mim como cristã e a ele como um descrente. Eu só ouvia e abanava a cabeça e deixei que ele falasse.

Ele falou sobre vários assuntos… sobre sua infância, juventude, sobre o dia em que sofrera o acidente que o deixara paraplégico e concluiu dizendo: “Naquele dia Deus não foi muito bom para mim”. Então eu o interrompi e perguntei: “se você não acredita em Deus, porque já falou no nome dEle pelo menos duas vezes desde que começamos a conversar?” Ele ficou meio assustado com minha pergunta inesperada, gaguejou um pouco e disse: “sabe o que é, eu cresci numa igreja cristã, fui ensinado desde pequeno sobre a Bíblia, então sei lá, acho que no fundo talvez eu seja uns 30% cristão e uns 70% ateu”, e logo mudou de assunto.

Depois de mais um tempo ele voltou a falar nos cristãos e que ele não conseguia ter a fé que eles têm, eu ainda tentei explicar para ele que para mim Deus não é simplesmente uma crença, mas sim uma pessoa real que supre as minhas necessidades, aí ele retrucou: “Mas, então porque Ele deixou isso acontecer comigo?” (referindo-se à sua paralisia). Desabafou um pouco sobre as dificuldades que passa como paraplégico e logo depois mudou de assunto novamente.

Enquanto tudo isso acontecia eu estava orando e pedindo que Deus me desse sabedoria para saber o que falar para aquele homem. E eu senti que simplesmente deveria orar por ele e não falar mais nada. Logo fomos terminando a conversa, ele disse que seu nome era Chris e que e morava ali na vizinhança, nos despedimos e fui embora com minhas filhas enquanto ele entrava no carro para sair também.

Passei o restante daquele dia e os dias seguintes pensando no Chris e muitas perguntas vieram à minha mente. Como é que eu mostro o amor de Deus para uma pessoa como ele? Um paraplégico que acredita que Deus foi o responsável pelo seu acidente? Para começar eu nem consigo entender todas as dificuldades que ele passa! Não tenho a mínima ideia de como ele já deve ter sofrido e continua sofrendo nessa vida?… E assim como ele, existem tantos outros que passam grandes necessidades, são sozinhos, tristes, frustrados na vida e não conseguem enxergar que Deus não é o culpado de tudo isso. No meio dessas perguntas todas senti Deus impressionar o meu coração com o seguinte pensamento. “Você se esqueceu que ele disse que é 30% cristão? Ele é 30% meu agora e eu posso fazer muito com esses 30% que ele me deu.” Outra coisa que me lembrei, o Chris ama a natureza, e a natureza é uma das principais maneiras que Deus se revela a nós. Quem sabe um dia ele não resolve entregar os 70% que faltam?

Conclusão… muitas vezes olhamos as pessoas como se estivéssemos em um patamar superior só porque eles não parecem ser 100% de Jesus. Até buscamos falar de Jesus para eles e convencê-los da verdade, mas enquanto não conseguimos ver um resultado visível continuamos considerando-os inferiores. Mas Deus conhece cada coração e enxerga todas as possibilidades dentro deles. Deus sabe como tocar a vida do Chris e de tantos outros e torná-los 100% dEle.

Peço que você ore pelo Chris, meu novo amigo “30% cristão” para que Deus revele seu amor completamente a ele, e se algum tiver a oportunidade de encontrá-lo novamente que eu saiba como ajudá-lo a enxergar o amor de Deus.
“Deus se revela através das coisas criadas, Os céus proclamam sua glória”. Sal. 19:1, 2

Meu Amigo 30% Cristão

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