Eu comecei a fazer o culto pessoal em casa quando meu filhos começaram a olhar livrinhos, isto é, bem antes de 1 ano de idade. Eu achei uns livrinhos bíblicos com as páginas de papel duro que tinham aquelas janelas que a gente abre e tem algo interessante embaixo, tipo um bichinho na história de Noé ou coisa assim. Eles eram tão pequenos que nem conseguiam abrir a janelinha sozinhos, mesmo sendo feitas grossas para mãozinhas em treinamento.
Depois eu comecei a contar as histórias bíblicas da Escola Sabatina com objetos e isso prendia a atenção deles demais. Eles amavam e não só se lembravam da história mas quando viam o objeto ou brinquedo, começavam a brincar da história. A ideia é de que as coisas familiares lhes tragam à lembrança as coisa divinas e seus pensamentos assim estejam “habitando no Senhor”.
Nesse tempo para todo lugar que eu olhava, em casa ou quando saia, eu pensava: ‘Isto dá para usar nessa história, aquilo na outra.’ Era muito gostoso. Eles viam as coisas e lembravam das histórias enquanto eu olhava e via a possibilidade para uma história.
Como eu ajudava no rol do berço quando eles estavam lá, ficava ainda mais fácil, pois o que eu pensava podia usar na classe e continuar em casa ao mesmo tempo que o que o que fazia sucesso em casa eu levava para classe. Além disso, eles gostavam muito de organizar a sala e brincar com o que tinha lá ou alguma criança no caso de outra mãe ir ajudar.
A gente também entrava na história as vezes fazendo cabaninha pra contar a história lá dentro ou montando uma maquete da criação acrescentando as coisas criadas naquele dia. Por exemplo, no primeiro dia a gente fechava os olhos e tentava andar ou fazer as coisas com olhos fechados. Depois a gente trabalhava luz em seus muitos aspectos. Para os pequenos a relação de luz e cor é muito legal pois as cores são o reflexo da luz e daí dá pra fazer mistura de cores primárias para obter as secundárias e etc. Eu usava colorante artificial de comida (líquido). Eles gostavam dever a água ficar colorida e quando você acrescenta outra cor e vira uma terceira é uma festa. Mas eu sempre pergunto antes o que eles acham que vai acontecer que é para eles criarem hipóteses e se envolverem no processo, e mesmo depois de saberem o que acontece, o encanto não passa.
Dependendo da idade dá para trabalhar prisma que decompõe a luz branca fazendo com que vejamos as cores do arco íris. Nas bolhas de sabão também dá para ver as muitas cores quando a luz bate, e assim fazer bolhas de sabão lá fora passam a fazer parte do culto. Você também pode deixar a bolha de sabão para o segundo dia quando Deus criou o firmamento ou atmosfera com o ar que nos é vital. Encher bexigas, segurar a respiração para ver quanto tempo consegue ficar sem respirar, brincar com vento e cata-ventos, aprender que sem ar não existe o som, trabalhar sons diferentes, usar instrumentos de sopro ou apitos (alto e baixo dependendo da quantidade e força do ar), tudo isso demonstra o amor de Deus na criação e como tudo que nos faz bem e alegra vem dEle e que Ele fez tudo isso porque queria nos fazer felizes. Tudo que Ele faz e pra fazer os outros felizes e assim Ele quer que nos sejamos. Quer que estejamos sempre planejando e trabalhando em como fazer nossa família e os outros felizes. A ideia de serviço altruísta pode permear o dia, a semana e ser visitada frequente depois disso. Pode-se pôr em pratica separando roupas ou brinquedos pra dar, convidar alguém meio sozinho pra vir em casa no sábado ou mil outras ideias dependendo da idade.
No rol do berço onde se estuda a história por um mês inteiro, dá pra fazer as coisas práticas assim uma semana, a maquete na outra semana e como quiser na terceira.
Para a maquete eu usei um isopor grosso coberto com plástico azul. Acho que usei aqueles fininhos de cobrir comida. Pode ser sem cor também já que agua é incolor. É só amassar o plástico e colocar em cima. Tudo é água. Então como não tem muito o que fazer dá pra trabalhar com água (que estava lá desde o princípio) e água eles amam. Dá pra trabalhar sem forma e com forma e ir para redondo, quadrado e colocar as formas nos brinquedos de encaixe. Outro aspecto é vazio e cheio (a terra era sem forma e vazia.). Esvaziar e encher. O prato estava cheio e esvaziou mas a barriguinha estava vazia e encheu. Cheio é bom ou vazio é bom? O lixo é bom cheio ou vazio? Cheio de coisa boa ou coisa ruim? O que a gente vê e ouve vai enchendo a cabecinha assim como a comida enche a barriguinha.
Com isso dá para trabalhar contrários (antônimos). Vazio e cheio, grande e pequeno, encima e embaixo, gordo e magro (tudo isso eles fazem gestos ou procuram coisas para demonstrar), depois que entenderam dá para ir para silêncio e barulho, falar alto e baixo (quando devemos usar um e outro, e praticar durante o dia), ser obediente e desobediente, bondoso e maldoso e assim voltar para a parte espiritual. Quando a criança tiver uma atitude negativa durante o dia voltar para a brincadeira do contrário do culto -‘cara feia e cara bonita’. Você faz uma cara feia e bonita exagerada e normalmente eles caem na risada e a brincadeira continua e a situação fica menos estressante.
Continuando a construção da maquete, com a água vem a luz. Dá pra começar a história e depois ir para um lugar escuro ou debaixo de um cobertor onde esteja o isopor com plástico e acender a luz ou tirar o cobertor quando Deus fala ‘haja luz’.
Depois dá para adicionar nuvens de algodão ou enchimento de almofada penduradas (mostrar água evaporando na panela e como as roupas secam, é muito legal dependendo da idade); cobrir o isopor com terra ou areia (ou vela em pó para artesanato se tiver). Dá para cobrir com verde quando Deus faz a grama (ou colocar grama de verdade cortada), colher florzinha ou flor de artesanato, por galhinhos de árvore para fazer as árvores e pendurar frutos de massinha. Eu coloquei coisinhas brilhantes (pedrinhas coloridas de bordar em roupa) que era o ouro e pedras preciosas que estavam na superfície até o diluvio. E assim por diante. Adão e Eva eu fiz com prendedor (de roupa) vestindo roupa de papel celofane para representar a luz. Cada dia da criação dá para incluir lições ligadas aos oito remédios naturais também.
O culto assim conecta a história bíblica com a ciência, que é a lei de Deus na natureza, as aplicações práticas do dia a dia (esvaziar o prato ou a barriguinha), as lições espirituais e morais de forma prática – como fazer outros felizes e escolher o bem ou a obediência em vez do mal ou desobediência – é religião prática, aplicada. Eles amam e aprendem demais, tudo dentro do contexto bíblico. Eles sempre querem fazer o culto; o difícil e parar. E se você gastar muito tempo lembre-se que além de culto é parte da escola domiciliar, ajuda na disciplina e une o coração deles ao nosso numa atividade onde eles estão prontos para ouvir.
À noite eu usava livros que ajudavam a acalmar e levar para a cama. Eles podem não querer dormir mas se gostam de história a hora fica feliz. Depois dos livrinhos de papel cartão eu comecei com a série Meus Amigos da Bíblia que eles amaram tanto que meu filho começou a ler neles. Até hoje falam com carinho deles e se referem de vez em quando a detalhes das histórias.
Meu objetivo era que eles amassem o culto e que ele se tornasse parte natural do dia deles, bem como que aprendessem a tirar as lições práticas da teoria e teoria (ou lições espirituais) da vida prática e em tudo ver a mão de amor do nosso Deus.
Para nós funcionou. Sucesso para vocês!
Silvia Martins

Como Tornar o Culto Prático para as Crianças

Uma ideia sobre “Como Tornar o Culto Prático para as Crianças

  • 30 de outubro de 2018 em 18:23
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    Que inspiração! Como é bom ler esses artigos e ter essa ajuda tão preciosa.
    Obrigada Silvia e equipe do PR!

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