Sally Hohnberger
Bem ao lado do balcão estava uma prateleira superlotada com os mais deli­ciosos chicletes, e o melhor de tudo, eram gratuitos porque a vovó estava pagando! Andrew, com três anos de idade, nem sempre achava divertido fazer compras, mas isso era extraordinário.
Ele sempre cavava até o fundo da prateleira para ter certeza de que pegaria os dois melhores chicletes – um para si mesmo e um para o irmão. Isso havia se tornado uma parte das compras quando a vovó e eu saía­mos, e Andrew esperava com ansiedade.
Só mais uma vez!
O problema é que tínhamos decidido não mais comprar chiclete. Então tive de dizer:
– Mãe, nós decidimos que não vamos mais comprar chiclete. – Qual é o problema do chiclete? – ela perguntou.
– É por causa do açúcar, dos dentes e da saúde deles.
– Você não pode deixar pelo menos mais essa vez? – minha mãe implorou, vendo que Andrew já estava com os chi­cletes na mão.
– Não, ele deve devolvê-los. Sinto muito não ter-lhe contado antes. Deixar passar essa vez vai tornar as coisas mais difíceis da próxima.
Andrew era muito meigo. Esforçou­-se para obedecer. Colocou a mão gordi­nha sobre a prateleira, olhando para mim com olhos suplicantes, esperan­do que eu cedesse essa uma vez para não ter de colocá-los de volta na pratelei­ra.
– Mamãe, eu quero chiclete – disse meigamente. Detestei ter de fazer isso, mas acenei com a cabeça dizendo “não”. Depois de colocar os chicletes de volta, colocou o dedo na boca e as lágrimas co­meçaram a rolar-lhe pelo rosto. Aquela cena partiu meu coração.
– Não podemos mascar chiclete só mais essa vez? – disse Matthew.
– Não – eu disse com mais convic­ção do que sentia.
A luta apenas começara
Todos estavam muito quietos ao ir­mos para o carro. Minha mãe estava mui­to triste. Ela não concorda conosco, mas que Deus a abençoe, pois sempre apoiou o que decidimos fazer; não contraria nos­sos desejos, mesmo que não estejam de acordo com os sentimentos e opiniões dela.
Ao começarmos a dirigir, Andrew sa­iu de seu assento de segurança e se ajoe­lhou no chão do carro atrás do banco de minha mãe. Nesse momento de provação ele começou a orar a Deus com sincerida­de e em voz alta: “Ó, querido Jesus, eu quero chiclete! Ajuda-me a não querer chiclete. Mamãe disse que eu não posso mascar chiclete, mas eu quero chiclete. Ó querido Jesus, eu quero obedecer a ma­mãe! Mas quero chiclete! Eu quero obede­cer a mamãe! Mas quero meu chiclete!
E assim a luta continuou. Andrew so­luçava conforme orava. Todos nós teste­munhamos sua agonia. Matthew chorava por seu irmão e por si mesmo. Minha mãe chorava silenciosamente no banco ao meu lado, procurando ficar fora da situação. Meu coração estava partido e lágrimas corriam pelo meu rosto. Eu não sabia como ajudar meu filho a sair daquela situ­ação!
– Andrew – coloquei minhas mãos em suas costas, confortando-o da melhor forma possível. – Você precisa voltar ao seu assento agora. Tudo vai ficar bem, querido.
­Ele voltou ao assento, mas continuou a orar por longo tempo. Naquela noite ele ainda estava triste e desapontado. Nada trouxe alí­vio – exceto o passar do tempo.
Por que era tão difí­cil?
Por que é tão difícil fazer a coisa cer­ta? Eu proporcionara ao Andrew a experi­ência da oração e da submissão. Como muitos cristãos, ele sabia o que era cer­to e queria obedecer, mas sua única fonte de poder era ranger os dentes e forçar sua indisposta natureza carnal a obedecer sua escolha. Instintivamente ele sabia que Deus era a solução. Por isso orou. Contudo, naquela época eu não sabia como Deus remove os sentimen­tos que não queremos. Assim, não tive poder para conduzi-lo à experiência de escolher fazer o que é certo através do poder de Jesus.
O dilema de Andrew é como o de uma águia que exercita apenas uma de suas asas; e é por isso que não podia er­guer-se acima da atração carnal e superar seu desejo por chiclete. Exercitar apenas a asa da submissão faz com que você voe em círculos. A segunda asa – a coope­ração – é vital para realizar o verda­deiro vôo acima da atração carnal. An­drew precisava clamar a Deus e fazer o que Deus lhe dissesse. Isso é estar “em Cristo”. Desta maneira, Deus entra em nosso interior para com Seu poder divino lutar contra o pecado e o eu, renovando nossos pensamentos, sentimentos e dese­jos. Deus trabalha de dentro para fora, não apenas com a nossa submissão – o reconhecimento mental de que Ele está certo – mas principalmente com a cooperação de nossa vontade. Deus não nos for­çará contra nossa vontade. -Sem o exercício dessa segun­da “asa”, não somos redimi­dos e descobrimos que não temos poder para mudar a nós mesmos.
Para Andrew isso significava empregar o mesmo esforço que estava usando para fazer o que era certo, mas também envolveria se sujeitar repetidas vezes e entregar a­queles desejos a Jesus. Então, ao coo­perar com pensamentos corretos dirigidos por Jesus para substituir o desejo por chi­clete, teria encontrado a vitória. O chi­clete não era o inimigo, mas sim os pensamentos. Contudo, eu não enten­dia isso naquela época.
Atualmente eu usaria o “princípio da substituição” para o desejado chiclete de Andrew. Ele precisava escolher ser feliz com uma maçã, ou um suco, e pedir a Deus que operasse esse milagre de produ­zir contentamento em seu coração. (Veja Heb. 13:5.) Isso poderia ter tornado a tro­ca fisicamente real para Andrew. Quando ela é apenas abstrata, é difícil para as crianças compreenderem a batalha espiritual na qual estamos envolvidos.
A razão de tantos sofrimentos
Quantos de nossos filhos crescem procurando obedecer, procurando com to­da sinceridade ser bons e fazer o que é certo – mas passam pela experiência de Andrew ao orar no banco traseiro do carro, lutando contra o eu e o desejo carnal, sem nenhuma vitória ou alívio perceptível? É porque os pais talvez conheçam sobre Deus, mas não conheçam a Deus pes­soalmente para poderem dizer aos fi­lhos como obter a vitória. Precisamos aprender como libertar nossos filhos das tendências carnais através da conexão com Deus. Se adquirirem essa experiência, teremos jovens ativos, vibrantes e corajo­sos.
É tão triste ver como muitos dos jo­vens com quem converso têm uma opinião negativa a respeito do cristianismo. A maioria não quer ter nada a ver com a religião que conhecem. Por quê? Por­que a luta de Andrew com o chiclete é a luta deles – e de seus pais – ano após ano, até que finalmente desistem da religi­ão, da igreja, dos pais e por vezes de si mesmos. Esses jovens tinham desejos por “chiclete”, mas nunca encontra­ram em Jesus o poder para vencê-los. Nós lhes transmitimos uma religião aleijada e o impotente deus do “eu” para adorar! Um adolescente expressou isso da seguinte maneira: “Essa coisa de religião pode dar certo para outros, mas eu já tentei e tentei de novo, e não fun­ciona para mim. Deve haver algo de er­rado comigo! Deus não responde às mi­nhas orações. Meu pai é um fracassado e eu sou exatamente como ele. Todo mundo me fala isso. Não há esperança pa­ra mim. Por isso já desisti de procurar ser bondoso e amável. Por certo serei destruído no fogo um dia, mas não há na­da que eu possa fazer a esse respeito.”
Surpreende-nos o fato de aderi­rem a esses pensamentos mentirosos de Satanás quando não encontram um Deus pessoal e nenhum poder para transformá-los e tornar suas escolhas reais? Eles não sabem como relacionar-se e cooperar com Deus para obterem Seu poder. Nossos filhos merecem a heran­ça de um Deus pessoal e de uma vida plena de poder. Até certo ponto, nossos atos, como pais, determinarão se eles en­trarão na vida adulta como filhos do reino celeste ou súditos do reino das trevas.
Se você quiser transformar seus pen­samentos e conseqüentemente os de seus filhos, precisará depositar suas escolhas diante da sabedoria de um Deus Oniscien­te. Ao fazer isso, verá grandes transforma­ções de caráter e de atitude, não importa a sua idade nem a de seu filho. Você pode ser a chave para destrancar os tesouros de bênçãos do Céu sobre sua família.
Vida pela de poder.
Traduzido por Vera Michel de Matos. Usado com permissão do projeto Empowered Living Ministries, www.empoweredlivingministries.org.
Chiclete

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