Matemática + Sítio = Sucesso

O tema de matemática, por ter vindo de encontro às minhas necessidades e dificuldades, me empolga o suficiente para compartilhar o que fiz de errado (com muitas boas intenções), as consequencias e a misericórdia divina.

Quando começamos a educar nossos filhos anos atrás, trouxemos a escola para dentro de casa e com ela o currículo, os livros, tarefas, testes e tudo o mais que vem com o pacote. Matriculamos nossa primeira filha na época com 7 anos e no primeiro ano foi tudo muito bem, a sensação do dever comprido era maravilhosa e as notas eram excelentes.

Os anos passaram e começou me incomodar muito o fato de perceber que o interesse dela em aprender tinha acabado, a escola tinha virado um fardo para ela e para mim. Me incomodava e irritava muito o fato de ver que ela não conseguia aplicar o que tinha aprendido nos livros na vida prática e ainda mais saber que ela “odiava” (palavras dela) matemática. Eu achava que alunos de homeschool amavam aprender. Chegou a um ponto tão crítico que eu tinha que explicar para ela como fazer cada exercício do livro mesmo sendo igual ao último que tinha acabado de explicar. Enfim depois de quatro anos fechamos a ‘escola’, fracasso total. Precisávamos de fárias urgente, precisávamos mudar o método, mudar a definição de educação que tínhamos em mente, reatar os laços e seguir o modelo divino.

Nesse tempo sem ‘escola’ além de ler muitos livros bons, fizemos atividades práticas do dia a dia. Atendiamos aos clientes que vinham comprar produtos do sítio. Estabelecemos um plano de venda das blueberries com três opções. As pessoas podiam comprar blueberry já colhida (opção 1 a mais cara), colher e pagar (opção 2, um pouco mais barato) ou para aqueles que não tinham condições, mas ainda queriam comer blueberries podiam colher e deixar a metade como pagamento (opção 3).

Eu procurava sempre estar “ocupada” quando vinha um cliente na varanda para encomendar, pagar ou deixar a metade como pagamento e pedia para minha filha ir atender. Ela tinha então que medir a quantidade de blueberries colhidas nos galões (não por peso) e definir o preço. Estava praticando volume, adição, multiplicação, divisão e as tão temidas frações. É claro que ela fez muitos erros, teve que voltar atrás algumas vezes, outras vezes deu algumas frações de blueberry de graça por não conseguir fazer os cálculos, mas tudo bem, era matematica na prática (e é claro que ela não sabia disso). Falava para ela que se estivesse na dúvida em algum cálculo deveria optar sempre em favorecer o freguês.

O interessante desse metodo é que a crianca não aprende apenas a ver o valor e a importância da matemática na prática, mas a socializacao é trabalhada, humildade e paciência desenvolvida, e ainda por cima como lidar com o estresse. É importante para nós pais percebermos que uma situação tão simples para nós pode ser um grande estresse para nossos pequenos.

Aproximadamente um ano mais tarde, um dia ela falou que gostaria de voltar a fazer matemática no livro. Já tinha um livro esperando que uma amiga tinha me indicado. Apesar do livro ser diferente voltamos ao mesmo tópico onde tímhamos parado um ano antes, o qual era “impossivel” para aprender multiplicação, adição, subtração e divisão de frações. Após algumas semanas ela falou que estava impressionada o quanto frações são fáceis e como matemática faz sentido. Louvado seja Deus!

Com meu filho filho foi diferente, mas tambem encontrei muitos desafios. Chegei a conclusão que ele não tinha nenhum interesse em matemática. Tentamos Khan Academy, Math-U-See, Christian Light, Professor Bee e outros métodos, mas nada o motivava o suficiente para ser persistente e aprender pelo menos a tabuada. Tentava jogar iscas para motivá-lo, mas ele nem beliscava. O que me ajudava a esperar o momento da fome ou o que me confortava em ter um filho de 10 anos que não sabia o básico da matemática (de acordo com meu entendimento), era ver o quanto ele era ativo em situações que exigiam matemática. Ele gosta muito de ser empreendedor e está sempre pensando o que pode fazer para ganhar dinheiro para os seus próprios objetivos. Na primavera anterior ele tinha feito 40 mudas de figos e 20 mudas de hortênsias. Cuidou das plantas e 3 meses depois vendeu as mudas. Perdeu 20 das mudas de figo para a geada, pois esqueceu de cobrí-las várias lições envolvidas aqui sobre responsabilidade e ciências como por exemplo: a ação da água em diferentes temperaturas, rsrsrs. Com o dinheiro das vendas comprou uma quadriciclo estragada. Com a ajuda do pai arrumou, usufruiu e vendeu. Colocou o dinheiro na sua própria conta bancária onde ficou até conseguir o suficiente para comprar sua tão sonhada máquina fotográfica.

O professor de música falou que ele precisava de um novo trompete, então ele fez 500 mudas de blueberries com o objetivo de em 2 anos quando as plantas estivessem prontas vender, comprar um trompete profissional. De fato isto aconteceu e foi uma das maioires realizações de sua vida na fase juvenil.

Quando ele fez 11 anos, eu não sei o que aconteceu, mas bateu um desejo de fazer matemática com livros. Eu chegava em casa e ele estava super eufórico querendo que eu ouvisse a tabuada que ele memorizara pela manhã. As vezes até fazia exercícios de matemática antes do desejejum, quase não consiguia acreditar no que meus olhos estavam vendo, em parte por ter levado 11 anos para acontecer, mas em grande parte porque meus olhos estavam molhados.

Tudo isso foi possível em meu lar, graças à ideias simples e profundas de atividades que outras mães experientes compartilharam comigo e pude experimentr com nossos filhos. Sou grata a essas amigas por terem me guiado nessa jornada, por fazer parte da nossa história, pelo interesse genuíno e por me ensinar muito sobre a verdadeira educação. Olhando para trás posso ver como a mão da Providência tem nos guiado até aqui.

Espero que você possa ver através da nossa história que não importa quão incomum nossas circunstâncias sejam, quão desqualificada nos sentimos para ensinar, ou quão complicadas e únicas nossas criancas são, eu e você com a graça, sabedoria e força de Deus podemos educar nosso filhos sem fracassar.

Simei Santos

Vida de Jesus – Ponto por ponto

Você se lembra de ter feito um Ponto por Ponto quando criança? Aquela atividade onde agente vai ligando os pontinhos numerados até formar um desenho? Muito bom para a criançada aprender os números e também excelente para desenvolver a coordenação motora da criança que está se preparando para escrever. E se combinarmos essa atividade com o aprendizado da Bíblia? Fica mais interessante ainda.

Hoje gostaríamos de compartilhar com vocês um material muito valioso: A Vida de Jesus Ponto por Ponto. São 52 páginas de desenhos sobre a vida de Jesus para seu filho completar ligando os pontos, e 52 versos bíblicos sobre o tema do desenho para ele memorizar.

Clique aqui para acessar e baixar o arquivo e aproveite bem os momentos fazendo esta atividade com seu filho!

 

Cortesia da Biblioteca da Casa Publicadora Brasileira https://cpb.com.br/

Aprendendo Números na Bíblia (e muito mais…)

“A Bíblia deve ser o primeiro manual da criança. Deste livro devem os pais ministrar uma sábia instrução. A Palavra de Deus deve constituir-se a regra da vida. Por ela, aprendam as crianças que Deus é o Pai; e das belas lições de Sua Palavra devem elas adquirir conhecimento de Seu caráter. Incutindo-se-lhes os seus princípios, devem elas aprender a fazer justiça e juízo.” Conselhos aos Pais, Professores e Estudantes, págs. 108 e 109.
O propósito é fazer a Bíblia interessante para as crianças. Para os que já lêem será uma benção na vida deles ler essas histórias, para os que não lêem será uma benção para elas ouvirem da boca de seus pais. Gastem tempo contando os detalhes de cada verso. Pode ser muito enriquecedor com os detalhes dos livros de Ellen White.
Apocalipse 1:3 nos diz que bem aventurados são os que lêem e os que ouvem e guardam…
Gostaria de tratar aqui sobre histórias da Bíblia, usando os números de 1 a 10.
Após as histórias serem lidas e contadas podem ser feitas as perguntas sugestivas, claro que você pode criar suas próprias perguntas. Isso ajudará a desenvolver a interpretação de texto e o pensamento crítico.
Nesse exemplo aqui, estudando essas histórias, se os pais quiserem se aprofundar e se esforçarem antes para colher as informações as crianças estarão aprendendo: números, história, geografia, ciências, português, gramática e o melhor: utilizando a palavra de Deus.
Usem mapas, para localizar o local em que essas histórias aconteceram. Como era a vida naquela época? Estudem como é o clima de lá, o cenário, quais os tipos de plantas desses lugares, quais os alimentos? Pode ser utilizado o momento do preparo das refeições para se preparar um alimento daquele lugar. Como se chamam esses lugares hoje? O que está acontecendo lá nos dias atuais. A situação que o local dessa história se encontra hoje tem alguma coisa a ver com as escolhas feitas na época da Bíblia?
Não importa a idade dos seus filhos, todos podem se beneficiar do mesmo assunto porém com profundidade adaptada para sua capacidade de entendimento. Quais são as maiores doenças desses lugares? O que causam essas doenças? Como a reforma de saúde pode nos beneficiar para não termos essa doença? Se quiser ir mais a fundo, a decoração da casa pode combinar. Conheci uma mãe que comprava tecidos baratinhos e mudava a toalha de mesa para combinar com o assunto que estava sendo estudado.
E para mim, o mais importante: O que essa história me ensina sobre a preparação do meu caráter para o céu. Esse ponto, não importando a idade, todos devem ter. Após as perguntas há um “Lembre-se” para cada história. Faça desse momento um momento agradável!
Aqui vai de forma bem resumida um exemplo:

Número 1 – UM Deus verdadeiro
Para as crianças menores podem explorar o aprendizado do numero 1. Treinar o número 1. Cartazes do número 1 pela casa. Na geladeira pode colocar o número 1 querendo dizer que há uma geladeira em casa, etc…
Atos 17:16-34 – Ler ou contar a história e estudá-la ponto a ponto.

Perguntas Sugestivas:
1. Quem estava pregando para as pessoas?
Paulo estava pregando para as pessoas
2. Sobre o que Paulo estava pregando?
Paulo pregava sobre Jesus. Ele pregava sobre o Único Deus verdadeiro
3. Como sabemos que o nosso Deus é o único Deus?
(As Respostas podem variar muito)
Ele vê todas as coisas que fazemos .
Ele criou o nosso mundo.
Ele ressuscitou mortos.
4. Quais são as diferenças entre o Único Deus verdadeiro e os ídolos?
Ídolos são feitos pelas mãos de homens. Eles não podem ver. Eles não podem ouvir. Eles não podem fazer nada. O Deus verdadeiro pode ver, ouvir e fazer todas as coisas(nomear o máximo de coisas que conseguir)
5. O que aconteceu com as pessoas que acreditaram em Jesus?
As pessoas que acreditaram em Jesus foram salvas.
Lembre-se: Há somente um Único Deus verdadeiro! Ídolos não podem fazer nada!

Local da História: Atenas na Grécia.
Local Atual: Atenas na Grécia
Mostrar no mapa e estudar o lugar e costumes como comentado acima.
Esse link sobre a cidade de Atenas está em inglês mas vocês podem utilizar as imagens. (http://www.bbc.co.uk/schools/primaryhistory/ancient_greeks/athens/)
Nota: Atenas era um local de muita lenda e superstição. O que é lenda? Porque não devemos ver e ouvir nada de lendas? Existem lendas hoje?

Numero 2 – DUAS vacas levam a arca (I Samuel 6)

Perguntas Sugestivas:

  1. Porque os inimigos tomaram a arca de Deus?
  2. Quem os inimigos de Israel pensavam ser mais poderoso, Dagon ou o Deus de Israel?
  3. Quem foi o mais poderoso, Dagon ou o Deus de Israel?
  4. Onde os inimigos colocaram a arca de Deus?
  5. O que aconteceu com Dagon durante a noite?
  6. O que aconteceu com os inimigos de Israel enquanto eles estiveram com a arca?
  7. Como os inimigos enviaram a arca de volta para Israel?
  8. Quem liderou as vacas de volta para Israel?

Lembre-se: Deus é grande. Ele é o Deus verdadeiro.

Juntamente com essa história vocês podem estudar sobre as vacas. Como são as vacas? O que elas possuem de diferente dos outros animais? (O estômago por exemplo) O objetivo é que quando as crianças olhem para uma vaca possam se lembrar dessa história e o mais importante, as lições dessa história.
Podem também estudar sobre Israel. Encontrar no mapa o local, quais os alimentos, etc…

Agora que vocês entenderam o padrão ou resumir mais daqui para frente com as sugestões dos outros números:

Número 3 – TRÊS Jovens Corajosos (Daniel 3)
Lembre-se: Deus é Grande! Ele é capaz de Salvar!

Número 4 – QUATRO Homens Tiram o Telhado (Lucas 5:17-26)

Número 5 – CINCO Virgens Sábias (Mateus 25:1-13)

Número 6 – SEIS Potes de Água (João 2: 1-11)

Número 7 – SETE Diáconos Servem a Deus (Atos 6-8)

Número 8 – OITO Pessoas Seguras na Arca (Genesis 6-9)

Número 9 – Onde estão os NOVE? (Lucas 17: 11-19)

Número 10 – DEZ Espias (Números 13, 14)

Vejam, nós os pais que vamos discernir quanta informação nossos filhos suportam. Você pode gastar de um dia para contar de todos os números bem resumidamente a um mês (ou mais) por história. Não há um padrão, porque Deus fez as crianças diferentes. Cada pai e mãe julgue o que for melhor para o seu filho de acordo com a idade e maturidade. Na idade de meus filhos, eles aprendem antes de nós e vem contar o que aprenderam. Nós somos os facilitadores e provedores. Provendo livros, materiais, indo a lugares que os ajudem a entender, etc…

Que Deus os abençoe!

Angélica Gomide

 

Idéias baseadas no Livro Bible Numbers por Martha Fisher, Editora: Rod and Staff Publishers, Inc.

Duas Fases do Desenvolvimento do Processo Matemático

Vou abordar aqui duas fases do desenvolvimento do processo matemático. Essa distinção nos facilita trabalhar com as crianças em cooperação com as leis de desenvolvimento mental.
Num primeiro estágio nossos pequenos estão construindo através da experiencia diária suas noções básicas do mundo e dentre elas estão as noções de tempo, espaço e número. Graças a Deus, o cérebro poderoso de um bebê já vem programado para formar esses conceitos através da prática. De que outra forma poderíamos ensinar a uma criança conceitos tão abstratos?
Numa fase posterior a criança começa a ser capaz de associar esses conceitos com representações simbólicas (o uso do numeral 2 para simbolizar uma quantidade ou tempo ou medida que expressa a ideia que ela assimilou do que é ‘dois’ – mais que um, menos que três).
Não só isso, mas, com a capacidade de usar símbolos mais livremente, nesse estágio, ela consegue manipular com sucesso os símbolos de operações matemáticas (+,-, x,÷,=,<,> e etc) para resolver no papel o que fazia instintivamente na cabeça. Ela sabe que quatro é mais ou maior que três muito cedo mas ser capaz de lidar com isso em símbolos (4 > 3) em vez de no concreto é muito diferente! Por exemplo: Ele ganhou quatro balões mas eu só três. Ele tem mais!
Para nós que dominamos o símbolo tão bem quanto o conceito tudo é a mesma coisa. Mas para uma criança que ainda está extraindo e desenvolvendo seu pensamento matemático daquilo que manipula (ou pelo menos vê), o uso de símbolos no papel traz confusão e frustração.
Se entendermos e nos lembrarmos disso talvez fiquemos menos ansiosos de vê-los fazendo continhas com lápis e papel e mais maravilhados de acompanhar e guiar o desenvolvimento dessa maratona matemática que ocorre nos seus primeiros 7 -10 anos de vida. (Com variações de criança para criança em idade especifica mas não na ordem do desenvolvimento). Para termos uma ideia é só pensar quão difícil seria escrever com um alfabeto diferente. Podemos ter o pensamento e a linguagem, mas o símbolo se torna uma barreira e não um meio de expressão.
Na prática:
Os primeiros anos são a época de explorar com todos os sentidos e experimentar com o mundo real. Pense no que se estuda nos primeiros anos de escola em termos de matemática: operações básicas; tempo; medidas de comprimento, volume, área; dinheiro; geometria e etc. Agora olhe ao redor e pense como seu pequeno pode experimentar e descobrir tudo isso. Não estamos falando aqui de informação e memorização mas experiência, observação, consideração e descoberta.
Quem já não viu uma criancinha de dois anos contando de um a dez ou recitando o alfabeto e os pais ou avós orgulhosos da inteligencia da criança? Soa inteligente mas é só repetição. Nessa fase de aprender a falar a memória para palavras e sons é excelente e o vocabulário se amplia. Inteligência verbal e memória é manifestada no contar. Nenhuma relação com pensamento matemático em si.
O que fazer então?
1. Distribuir as frutas dando uma para cada pessoa é matemática. Correspondência um a um é essencial para entender números. Para comparar quantidade o primeiro passo é colocar um para cada um e ver se sobrou ou faltou.
2. Colocar os pratos e talheres na mesa, pegar uma meia para cada pé, dar uma folha para cada criança colorir na escola sabatina, pôr uma azeitona em cada empadinha um pires pra cada xícara, uma semente em cada buraco e etc.
3. Comparar pra ver qual é maior ou menor. Essa é uma ideia básica de subtração cujo resultado é chamado diferença. Você compara dois números e descobre a diferença. Qual tem mais? No começo a comparação é física pondo um em cima do outro ou lado a lado. Não é preciso contar para fazer isso. Lembra das torres de cubinhos ou Legos? Faça uma do mesmo tamanho ou menor e comente.
4. Separar coisas por tamanho ou cor ou forma ou textura (classificação). Roupas claras numa lavada e escuras na outra, meias do papai e meias da criança, guardar faca com faca e colher com colher.
5. Fazer pares de coisas (meias, sapatos, etc) ajuda na discriminação e traz naturalmente a ideia de par e ímpar e correspondência um a um.
6. Volume. Será que a comida da panela cabe na vasilha? Você acha que nosso cachorro caberia nessa casinha? Quantos copos de suco cabem nessa garrafa? E naquela? Quantos baldinhos de areia a gente tirou do buraco?
Eu costumava colocar feijões na minha mão e deixa-los olhar bem. Depois eu escondia minha mão e tirava um feijão. Dai perguntava pra eles adivinharem quantos ficaram. Eles amavam!
Eu começava com adição simples acrescentando um ou dois e depois ia pondo mais ou menos. Num segundo momento começava a tirar (subtração).
Depois que eles adivinhavam eu abria a mão para eles verem e descobrir se adivinharam certo. Não sou eu que digo se está certo ou errado. Se eles errarem a gente pode fazer de novo com a mão aberta para eles verem acontecer.
Assim se vai passando do concreto para a visualização mental. No jogo de adivinhar parte e visto e parte imaginado o cálculo vai se tornando mental. Minhas crianças faziam muito cálculo mental de todo tipo antes de começarem a lidar com eles no papel. Mas sempre foi brincadeira e a gente se divertia.
Assim eles não fazem distinção de matemática, vida e brincadeira. Fica um gostinho bom na memória – sem traumas.
Daqui para o trabalho com papel e símbolos é um pulo. Quando chegarem lá os conceitos estão claros e é mais fácil aprender a técnica no papel. No dia a dia normalmente usamos processos diferentes para fazer os cálculos de cabeça.
O processo do desenvolvimento matemático é um processo fluído. A cada dia a criança ouve os números e vai aprendendo. ‘Dois gatinhos!’. ‘Os dois chinelos estavam aqui. Agora só tem um’. ‘Ganhei três mexericas: uma, duas, três.’ Aprender a contar é importante, mas com significado.
No dia a dia a gente vai ajudando a criança a pensar. As perguntas e brincadeiras nada mais são do que problemas verbais que a criança primeiro vê com os olhos e depois com a imaginação. Dai, quando chegam os símbolos ou representações matemáticas elas poderão manipulá-las como fazia com as idéias e continuar usando sua capacidade de visualização para entender e resolver problemas reais ou imaginários.

Silvia Martins