A Geografia de Paulo

 Há muitas histórias na Bíblia que nos ensinam geografia, e talvez uma das mais interessantes seja a de Paulo. Toda o relato de sua vida foi marcado por viagens, desde quando ele ainda era um perseguidor, durante seu ministério como pregador, e até durante seus anos de prisão e finalmente sua morte como um mártir.

Ler esses relatos na Bíblia sem olhar e estudar um mapa é como aprender sobre a natureza num ambiente fechado sem ilustração alguma, não faz sentido. A informação não fixa na mente, os fatos são mencionados, mas detalhes ficam vagos para nós e não conseguimos assimilar. Somos aconselhados a usar ilustrações simples para estudar a Bíblia, para melhor fixar na mente seus ensinamentos.

“O uso de comparações, quadros-negros, mapas e gravuras, será de auxílio na explicação destas lições e na fixação das mesmas na memória. Pais e professores devem constantemente procurar métodos aperfeiçoados. O ensino da Bíblia deve ter os nossos mais espontâneos pensamentos, nossos melhores métodos, e o nosso mais fervoroso esforço.” Educação, 186.

Nas histórias de Paulo, podemos ensinar para os alunos toda a geografia ao redor do mar mediterrâneo. Seguindo os relatos de Atos 13 a 28 acompanhamos suas quatro viagens missionárias, os vários pontos onde ele parou, as pessoas que conheceu e as que o acompanhavam nas viagens e as igrejas que iniciou. Conhecemos também um pouco da cultura dos locais onde parou, dos costumes e da religião dos diferentes povos, tudo isso é geografia.

Ao conhecer cada região, podemos também fazer uma comparação com o mapa atual e aprender muito. Que países não existiam naquela época? Que países e cidades são mais antigas que já existiam na época de Pauloe mantém o mesmo nome hoje em dia?

Para fazer isso de modo mais interessante, ano passado desenhamos um mapa da região do Mar Mediterrâneo e conforme estudávamos as viagens na lição da escola sabatina dos adolescentes, traçamos o roteiro de cada viagem. Este ano usamos o mesmo mapa na classe dos primários, acrescentando um barquinho de papel e personagens que tiramos daqui para mostrar para as crianças menores de maneira ainda mais interativa as pessoas que faziam parte da história. Você pode usar um mapa comprado, mas o processo de desenhar, pintar e escrever o nome dos países é o que mais ajudar a fixá-los na memória.

Até mesmo para mim, professora, que já tinha lido esses relatos no passado, o estudo deste modo nunca ficou tão marcado em minha memória como desta vez quando utilizei os mapas para ensinar. Você deseja que o estudo da Bíblia seja memorável para seus filhos e seus alunos? Então siga esses conselhos e métodos simples que foram orientados por Deus e isso acontecerá.

Aprendendo Geografia com o Informativo da Missões

A momento do informativo das missões na classe das crianças na igreja é uma excelente oportunidade para se ensinar geografia e missões.

Quando as minhas filhas eram pequenas em uma das classes do jardim havia um mapa mundi que a professora colocava no chão, no momento do informativo, as crianças se deitavam sobre aquele grande mapa e antes de começar a história, encontravam no mapa o país de onde a história vinha.

Em outra igreja havia um globo inflável onde as crianças colavam um selinho sobre o país de onde vinha a história. Com isso aos poucos elas iam reconhecendo os diferentes continentes e países e conversando sobre a necessidades espirituais das pessoas que lá viviam.

Em nossa igreja atualmente, além de contar a história a pessoa responsável pelo informativo, que normalmente é uma das próprias crianças, compartilha também fatos interessantes sobre a cultura do país, compartilha alguma curiosidade sobre algum animal típico do país e até tira uma lição espiritual das características do animal.

No site Download Adventistas  você encontra os textos dos informativos, bem como arquivos em Powerpoint que podem ser usado.

E porque não se aprofundar ainda mais nas culturas de onde vêem as histórias. A cada trimestre as histórias e as ofertas são direcionadas a uma região específica do mundo. Aproveite para trazer objetos da cultura, preparar alimentos típicos, quem sabe trazer alguém de decendência daquele país que pode contribuir com objetos, vestuário e outros fatos interessantes.

Tudo isso é ensino, e da melhor qualidade. Crianças aprendem melhor sobre geografia e cultura quando são imersas nelas, e aprendem de forma prática.

Aproveite os informativos das missões e faça atividades adicionais com seu filho durante a semana em casa sobre a região do mundo em fóco a cada trimestre. Sabe qual poderá ser o resultado, será ficará cada vez mais sensível às necessidades das pessoas e provavelmente terá interesse em ser um missionário no futuro.

Viajando e Aprendendo

Umas das melhores maneiras de ensinar geografia para os filhos é durante viagens quando podemos mostrar as diferentes formas de relevo, singularidades na vegetação e clima e muitas outras coisas mais que podem ser vistas e experimentadas pessoalmente. Mas quando se pensa na geografia combinada à missão, uma boa oportunidade de se ensinar isso é durante viagens missionárias. Nossa família gosta muito de viajar, mas principalmente quando podemos combinar viagens e missões. Alguns anos atrás fizemos uma dessas viagens para a Bolívia e foi um grande aprendizado para todos nós.

 

Para aproveitar a oportunidade de aprendizado e reduzir os custos planejamos viajar de carro até a fronteira e depois tomar trem ou ônibus até Cochabamba, nosso destino final. Um grande desafio quando pensávamos na demora e cansaço, mas uma grande aventura quando pensávamos na oportunidade de realmente conhecer o pais, sua cultura e seus costume, algo que com certeza gostaríamos de oferecer às nossas filhas.

Foram aproximadamente 40 horas de viagem de carro, trem e ônibus de nossa casa até Cochabamba. Passamos por Campo Grande e Corumbá-MS onde visitamos familiares queridos, e pudemos também passar pelo meio do Pantanal Sul-Mato-Grossense e conhecer a incrível beleza daquela região, o que já foi outra aula de geografia e ciências, pois pudemos ver muitos dos animais típicos como jacarés e tartarugas bem de pertinho.

Depois de deixar o carro do lado brasileiro na casa de familiares, fomos levados até a fronteira onde tomamos um trem até Santa Cruz e depois um ônibus até Cochabamba.  Durante a viagem, parando em diferentes cidades e vilas, pudemos conhecer um pouco da cultura e costumes bolivianos bem como apreciar a diversidade da beleza natural do país. A viagem começou em uma região mais plana ao sul do país, com árvores baixas (tipo cerrado) e clima quente e úmido. Depois de Santa Cruz a vegetação já ficou mais intensa e começaram as matas fechadas e montanhas entrecortadas por cachoeiras. Após subir a serra rumo à Cochabamba, a mudança foi mais radical ainda. Subitamente estávamos a uma altitude bem elevada, o clima mais árido e frio, e a vegetação totalmente diferente, picos cobertos de neve, lagos a milhares de pés de altura, e cenários que muitas vezes se assemelhavam a paisagens que se vê na Europa. Tudo isso fomos mostrando e comentando com nossas filhas durante a viagem.

Conforme nos aproximamos de Cochabamba notamos também que as pessoas se vestiam de maneira mais típica do que nos outros lugares por onde passamos. Em todas as paradas dos ônibus que eram um verdadeiro banho de cultura, subiam crianças e mulheres gritando: “Pollo y charque”! Eram os famosos vendedores de marmitas de arroz com frango ou carne seca, ou então cantarolando as palavras “Cuñape”, um tipo de pão de queijo boliviano.

Passamos um dia em Cochabamba, onde pudemos tomar uma daquelas “vans” superlotação típica boliviana e visitar a “Cancha”, um enorme mercado de rua, muito tradicional na cidade. No final do dia fomos levados em um pequeno ônibus, bem colorido para o local do acampamento onde iríamos passar o feriado de carnaval que, aliás, também é bem comemorado por lá com decorações, música, bebida e muitas brincadeiras com as pessoas tentando jogar “água” e outras coisas mais nos carros e ônibus que passam nas ruas. Tive o “privilégio” de ser acertada por um dos saquinhos de água pela janela do ônibus.

O motivo da nossa viagem era participar de um acampamento durante o final de semana prolongado. Era um acampamento com irmãos adventistas de várias cidades próximas da região de Cochabamba, onde tivemos a oportunidade de aprender muito através de palestras e testemunhos maravilhosos bem como de apresentar palestras de saúde, compartilhar nosso testemunho e participar na música. Este encontro anual organizado por um ministério leigo de Cochabamba busca levar famílias a buscar um relacionamento mais íntimo com Deus e se envolver na missão. Ficamos impressionados com o grande número de jovens presentes, muitos dos quais viviam em um orfanato mantido pelo ministério. Tivemos a oportunidade de conversar e conhecer melhor alguns deles que também têm o coração na missão e desejam entregar suas vidas para levar o amor de Deus aos outros.

As crianças tiveram a oportunidade de praticar o espanhol com as amizades que fizeram e conduzindo momentos de louvor durante as reuniões. Além de enriquecer o vocabulário, também aprenderam alguns costumes e brincadeiras da cultura boliviana, participando das atividades infantis providas para elas durante alguns momentos do evento. Neste evento também e durante toda a estadia lá, pudemos conhecer diferentes prátos típicos e conhecer as principais culturas do país.

Assim como no Brasil e em muitos outros lugares pudemos também ver e conhecer a triste realidade de pessoas que vivem em meio a doenças, devido a escolhas erradas de estilo de vida. A pobreza em si, não é necessariamente sinônimo de doença, mas ignorar a leis de saúde quer na pobreza ou riqueza, sempre traz doenças e tristeza para a vida das pessoas. Deus deseja que sejamos saudáveis, não importa nossa classe social e quer que usemos nosso corpo e nossos talentos para Sua honra e glória, e ao visitarmos este país, sentimos mais ainda o quão é importante combinar obra do evangelismo com a mensagem da saúde.

Não tenho como compartilhar os muitos detalhes interessantes que ocorreram durante a viagem, mas gostaria de dizer que vale a pena, fazer um pouquinho de sacrifício, enfrentar mais cansaço e desafios para dar aos nossos filhos uma visão mais missionária do mundo. Que Deus nos ajude a aproveitar as oportunidades!

Rute Bazan