criatividadeVocê se considera criativo? Se sua resposta for sim talvez se identifique com que vai ler a seguir.

Eu sempre me considerei criativa, e não apenas isto, eu me orgulhava de ser criativa. Fui muitas vezes chamada para fazer parte de equipes de planejamento de eventos e programas na igreja, que as vezes nem tinham que ver com a minha área de atuação. Eu era convocada simplesmente porque era “criativa” e podia contribuir com boas ideias, como diziam.

Por muito tempo achei que ser criativa era uma grande vantagem. Todos os dias dezenas de ideias simplesmente fluíam em minha mente, relacionadas a projetos da igreja ou projetos profissionais. Eu sempre encontrava um papel para escrevê-las ou corria para o computador e abria minha pasta de “ideias criativas” para registrá-las, para ter certeza que as encontraria quando precisasse. Também tinha uma pasta cheia de recortes de revista com ideias maravilhosas que tinha certeza que seriam úteis para mim em algum momento.

O problema era que os anos iam se passando e elas continuavam lá. De vez em quando abria minha pasta no computador e passava horas aprimorando as ideias, planejando como as usaria em projetos e acrescentando novas ideias que vinham à mente, mas elas continuavam lá. O que eu não percebia era que o meu ego sempre era alimentado enquanto estava envolvida nessas atividade e muito do meu tempo era gasto nesse processo que quase nunca trazia um benefício algum para mim mesma e muito menos para os outros.

Depois de um tempo descobri ferramentas como o Pintrest onde existem muitas pessoas como eu. Se você não conhece esse programa, ele é tipo um de Facebook para coletar links de ideias interessantes. Apesar de ser muito útil em alguns momentos, pode também ser uma armadilha para pessoas “viciadas” na criatividade.

Alguns anos atrás enquanto estava surfando o Pintrest encontrei um blog criativo e li as seguintes palavras: “Você também é obcecado com criatividade? Então inscreva-se em meu blog.” O convite chamou muito a minha atenção. Continuei lendo e o que li em seguida me levou a um séria reflexão. No cantinho do blog uma pequena apresentação da autora dizia: “Olá meu nome é …… Comecei este blog como um arquivo de ideias alguns anos atrás. Depois de três anos e centenas de ideias, agora percebi que nunca vou conseguir realizar todas elas. Quando não estou criando, adoro passar tempo com minha família e amigos e fazer viagens longas, especialmente quando elas terminam na praia.”

Duas coisas ficaram em minha mente após visitar aquele blog. Primeiro a palavra “obcecada” que também poderia ser traduzida por “viciada”. Até então eu não pensava que fosse viciada em alguma coisa, especialmente na criatividade. Em segundo lugar, me choquei com as palavras “quando não estou criando, adoro passar tempo com minha família”. Uma frase aparentemente inofensiva, mas que demonstra onde a prioridade na vida dessa pessoa estava – a família em segundo plano. Fiquei triste, pois essa parecia ser a minha experiência muitas vezes.

Comecei a orar sobre essa questão e pedi a Deus que mostrasse como corrigir isso e pouco tempo depois uma amiga foi usada para compartilhar comigo sobre a importância de ter um foco na vida, e fugir das distrações, mesmo que pareçam boas ideias. Desde então tenho estado consciente da minha condição e da minha necessidade de Deus para me ajudar a vencer as armadilhas da criatividade. É uma luta contínua, pois a criatividade é um dom de Deus que tem sido deturpado pelo inimigo para nos afastar do próprio Criador que o concedeu a nós.

Nós mulheres muitas vezes nos orgulhamos em ser capazes de pensar ou fazer dez coisas ao mesmo tempo (comparado com os homens), mas essa capacidade aparentemente vantajosa pode ser uma armadilha. Por vezes nos envolvemos com tantos projetos que eles acabam nos afastando das nossas responsabilidades, roubam o tempo que deveria ser dedicado à família, às prioridades e a nossa comunhão com Deus, colocando até a nossa salvação em risco.

Outro ponto é que a pessoa criativa sente prazer em simplesmente criar, mesmo que não veja os resultados de sua criação. Normalmente quando decidimos iniciar um novo projeto, pouco tempo depois temos outra ideia brilhante e abandonamos o primeiro e isso pode acontecer mais e mais vezes, e acabamos caindo na rotina de nunca terminar o que começamos. Com isso desenvolvemos o hábito de desistir no meio do caminho e não perseverar. Não seria esse hábito muito perigo para os dias em que vivemos, quando pensamos em nossa caminhada com Deus?

A verdadeira criatividade é um dom de Deus que pode ser usada dentro do nosso lar, nosso ministério e nossos projetos para aprimorar e facilitar sua execução. Mas Deus deseja que tenhamos prioridade e um foco em tudo na vida. Ter um foco e ser perseverante na conquista dos objetivos é essencial para o êxito e a criatividade pode ser uma grande ferramenta se for usada para esse propósito. Portanto, não tem nada de errado em usar o Pintrest ou coletar ideias de alguma outra forma, a pessoa dotada de criatividade usa esses meios para adquirir novas ideias que poderão ser usadas para bons fins, só não podemos nos perder no processo sem nunca alcançar os objetivos.

Como disse o sábio Salomão:”Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu.” Eclesiastes 3:1. Que Deus nos ajude a estabelecermos prioridades na vida, focalizarmos no essencial e sermos perseverantes para alcançar nossos objetivos sem nos distrairmos.

Abraço, Rute

Os Perigos da Criatividade

2 ideias sobre “Os Perigos da Criatividade

  • 3 de Fevereiro de 2018 às 16:57
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    Que reflexão interessante. Me identifiquei com a situação. Despertou em mim ver a necessidade da sabedoria e temperança neste assunto.

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    • 21 de Fevereiro de 2018 às 22:29
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      Que bom Anete! Deus quer usar nossa criatividade para o melhor, para nossa felicidade e Sua glória. Que Deus a abençoe!

      Responder

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